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Tipo do documento: Dissertação
Título: Respostas à violência contra a mulher nas mídias sociais de órgãos governamentais durante a Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) pela covid-19
Título(s) alternativo(s): Responses to violence against women on the social media of government agencies during the Public Health Emergency of National Importance (ESPIN) due to covid-19
Autor: Silva, Elaine Cristina Alves 
Primeiro orientador: Cárdenas, Claudia Mercedes Mora
Primeiro membro da banca: Sívori, Horácio
Segundo membro da banca: Deslandes, Suely Ferreira
Resumo: Esta dissertação se insere no âmbito da Saúde Coletiva, considerando algumas articulações entre gênero, violência e comunicação e informação em saúde. A comunicação em saúde, nessa perspectiva, diz respeito ao papel das mídias estatais para elevar a compreensão acerca da violência contra a mulher, informar e influenciar as decisões dos indivíduos e comunidades com o objetivo de transformar atitudes e possibilitar mudanças no longo e curto prazo. Tendo em vista os desafios da divulgação dos mecanismos de denúncia e equipamentos para o enfrentamento à violência contra a mulher, especialmente em tempos de restrição de movimento e acesso à rede de apoio, esta pesquisa buscou compreender de que forma o poder executivo do Estado Brasileiro respondeu ao aumento desta modalidade de violência no período da Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional pela covid-19. O estudo analisa as respostas do poder executivo federal, em particular as estratégias/ações de cunho preventivo previstas na Lei Maria da Penha, a partir das publicações no site e mídias sociais do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH). A pesquisa, de cunho documental, exploratória e com abordagem qualitativa, identificou e analisou 16 publicações. Constatou-se que MMFDH privilegiou o Facebook como canal de comunicação, o que pode ter impactado o alcance das publicações. 70% dos posts não possuem destinatário específico e tem como foco a prevenção terciária. As personagens e imagens representadas com o gênero feminino, são, em sua maioria, brancas e jovens, não reproduzindo a diversidade da população brasileira quanto à raça, cor, faixa etária e regionalidade; a figura masculina, seja como apoio ou como potencial agressor, aparece de modo muito superficial. Nota-se, também, que a comunicação realizada pelas mídias e site do MMFDH segue o padrão campanhista, com forte estímulo à denúncia, oferecendo uma ação após o cometimento do crime, o que reforça apenas a dimensão punitiva da lei e ratifica o lugar da mulher como vítima. O fato de ter como proposta única a divulgação do Ligue 180 para denúncia, demonstra a falta de vontade política e a ausência de outras políticas públicas por parte do Governo Federal. A análise também sugere que, a despeito da violência psicológica ter sido reconhecida pela Lei nº 14.188/2021, o MMFDH optou por não dar visibilidade e omitiu esta renovação das suas redes sociais e site, cultivando uma sensibilidade que contempla apenas uma parcela da população: a que permanece vivenciando e reforçando as assimetrias de gênero, seguindo as convicções conservadoras. Por fim, concluímos que as respostas do MMFDH se encaminham no sentido neoconservadorista que se fundamenta na ideia de que a família nuclear heteronormativa é a resposta para as disfunções sociais, em vez do Estado, dessa forma, baseiam-se no fortalecimento da estrutura e dos laços familiares, para que as famílias possam agir de suas próprias maneiras diante das circunstâncias, retirando a condição de direito das mulheres em suas políticas públicas e devolvendo o problema da violência para o âmbito privado.
Abstract: This dissertation falls within the scope of Public Health, considering some connections between gender, violence, and communication and information in health. Health communication, in this perspective, concerns the role of state media in raising awareness about violence against women, informing and influencing individuals' and communities' decisions with the aim of transforming attitudes and enabling changes in the short and long term. Considering the challenges of disseminating reporting mechanisms and resources for addressing violence against women, especially in times of movement restriction and limited access to support networks, this research sought to understand how the executive power of the Brazilian State responded to the increase in this form of violence during the Public Health Emergency of National Importance due to covid-19. The study analyzes the responses of the federal executive power, particularly the preventive strategies/actions provided for in the Maria da Penha Law, based on publications on the website and social media of the Ministry of Women, Family and Human Rights (MMFDH). The research, of a documentary, exploratory, and qualitative nature, identified and analyzed 16 publications. It was found that MMFDH favored Facebook as a communication channel, which may have impacted the reach of the publications. 70% of the posts do not have a specific recipient and focus on tertiary prevention. The characters and images represented as female are mostly white and young, not reflecting the diversity of the Brazilian population in terms of race, color, age group, and regionalism; the male figure, whether as support or potential aggressor, appears in a very superficial manner. It is also noted that the communication carried out by MMFDH's media and website follows a campaign-like pattern, with a strong emphasis on reporting, offering action only after the crime has been committed, which reinforces only the punitive dimension of the law and reaffirms women's position as victims. The fact that the sole proposal is the promotion of the Ligue 180 hotline for reporting demonstrates the lack of political will and the absence of other public policies by the Federal Government. The analysis also suggests that, despite psychological violence being recognized by Law nº. 14.188/2021, MMFDH chose not to give visibility and omitted this update from its social networks and website, fostering a sensitivity that only encompasses a portion of the population: those who continue to experience and reinforce gender asymmetries, adhering to conservative beliefs. Finally, we conclude that MMFDH's responses lean towards a neoconservative direction based on the idea that the heteronormative nuclear family is the answer to social dysfunctions, rather than the State. Therefore, they focus on strengthening family structure and bonds so that families can act in their own ways in the face of circumstances, removing women's rights from their public policies and returning the problem of violence to the private sphere.
Palavras-chave: Comunicação em Saúde
Órgãos Governamentais
Mídias Sociais
Violência contra a Mulher
COVID-19
Políticas Públicas
Mídias Estatais
Violence against Women
State Media
Área(s) do CNPq: CIENCIAS DA SAUDE::SAUDE COLETIVA
Idioma: por
País: Brasil
Instituição: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Sigla da instituição: UERJ
Departamento: Centro Biomédico::Instituto de Medicina Social Hesio Cordeiro
Programa: Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva
Citação: SILVA, Elaine Cristina Alves. Respostas à violência contra a mulher nas mídias sociais de órgãos governamentais durante a Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) pela covid-19. 2024. 102 f. Dissertação (Mestrado em Saúde Coletiva) - Instituto de Medicina Social Hesio Cordeiro, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2024.
Tipo de acesso: Acesso Aberto
URI: http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/22070
Data de defesa: 22-Mar-2024
Aparece nas coleções:Mestrado em Saúde Coletiva



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