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http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/24062| Tipo do documento: | Tese |
| Título: | “De militar só tinha o nome e seu comandante”: cotidiano, trabalho, terra e resistência dos colonos paisanos na Colônia Militar do Jataí – Província do Paraná (1840-1897) |
| Título(s) alternativo(s): | “Of military it only had the name and its commander”: daily life, work, land and resistance of settlers paisanos in the Jataí Military Colony – Province of Paraná (1840-1897) |
| Autor: | Leite, Carlos Henrique Ferreira ![]() |
| Primeiro orientador: | Scheidt, Eduardo |
| Primeiro membro da banca: | Silva, Ana Paula Barcelos Ribeiro da |
| Segundo membro da banca: | Rodrigues, Fernando da Silva |
| Terceiro membro da banca: | Motta, Márcia Maria Menendes |
| Quarto membro da banca: | Machado, Marina Monteiro |
| Resumo: | Esta tese objetiva investigar e problematizar o cotidiano, o trabalho, a luta pela terra e as formas de resistências dos colonos paisanos na Colônia Militar do Jataí, estabelecida ao norte da Província do Paraná na segunda metade do século XIX. O núcleo integrou uma ampla política de colonização militar implementada durante o Segundo Reinado, com a fundação de mais de vinte colônias militares em áreas limítrofes e interioranas do território nacional, visando, em suma, a formação de novas zonas de povoamento, a proteção das fronteiras, o policiamento das matas, o combate as revoltas, o apoio a intercomunicação entre as cidades, o desenvolvimento agrícola, a expansão do comércio e o controle sobre os grupos socialmente marginalizados. No plano desta ação, estas colônias deveriam ser constituídas por militares, que ficariam encarregados de sua organização, edificação, administração e manutenção. Para muitas autoridades, o soldado, era visto como o colono ideal por seu “amor à pátria”, “espirito de obediência”, “hábitos de camaradagem” e “propensão a moralidade e a virtude”. Submetidos e “habituados” a hierarquia e a disciplina militar, eram considerados essenciais para o “sucesso” deste empreendimento. No entanto, as circunstâncias e as peculiaridades regionais, fizeram com que a Colônia Militar do Jataí fosse formada e habitada essencialmente por “paisanos”, civis, livres e pobres nacionais, em sua maioria, lavradores, também denominados “operários agrícolas”. Atraídos em maior parte com suas famílias pelas “vantagens” e promessas de moradia, trabalho, salário, acesso e propriedade da terra, enfrentaram as dificuldades inerentes a um ambiente de natureza inóspita e isolada no sertão do Tibagi, agravadas pela falta e/ou atraso no envio de recursos por parte do governo, que representado pelos diretores, promoveu diversas estratégias de coação e de controle das ações e atividades destes sujeitos por meio de leis, decretos e um regulamento militar. Identificou-se que muitos colonos não ficaram passivos diante desta situação e dentro dos seus interesses, possibilidades e alcances, ou desistiram e partiram com seus entes para outros lugares ou permaneceram com suas famílias e promoveram táticas diversificadas de resistências contra as determinações e orientações que consideravam incompatíveis com suas intenções, possibilidades ou necessidades, subvertendo, ou readaptando, por vezes, a ordem imposta, em prol da sua sobrevivência, de melhores condições de vida e do acesso à terra. Nas suas trajetórias de sucessos e insucessos, de desistências e permanências, atuaram de acordo com seus desejos, em conflitos ou negociações, em partir do núcleo ou ficar e enfrentar as adversidades, que em conjunto com outros fatores, levaram parte dos administradores a questionar o caráter “militar” da colônia, reconhecer que as normas rigidamente estipuladas não se adequavam as realidades daquela população, e que o desenvolvimento agrícola e comercial gerado pelo esforço e trabalho dos paisanos eram limitados e longe das suas expectativas não por “inaptidão” e “indolência” dos mesmos, já que produziram para si e para o núcleo mantendo-o em atividade por mais de quatro décadas, mas pela falta de maiores interesses e investimentos do próprio Estado. |
| Abstract: | This thesis aims to investigate and problematize the daily life, work, the struggle for land and the forms of resistance of the Paisano settlers in the Jataí Military Colony, established in the north of the Province of Paraná in the second half of the 19th century. The nucleus was part of a broad policy of military colonization implemented during the Second Reign, with the founding of more than twenty military colonies in bordering and interior areas of the national territory, aiming, in short, at the formation of new settlement zones, the protection of borders, policing the forests, combating revolts, supporting intercommunication between cities, agricultural development, the expansion of commerce and control over socially marginalized groups. In terms of this action, these colonies should be made up of military personnel, who would be in charge of their organization, construction, administration and maintenance. For many authorities, the soldier was seen as the ideal colonist due to his “love of country”, “spirit of obedience”, “habits of camaraderie” and “propensity for morality and virtue”. Submitted and “accustomed” to military hierarchy and discipline, they were considered essential to the “success” of this enterprise. However, regional circumstances and peculiarities meant that the Military Colony of Jataí was formed and inhabited essentially by “paisanos”, civilians, free and poor nationals, mostly farmers, also called “agricultural workers”. Attracted mostly with their families by the “advantages” and promises of housing, work, salary, access and ownership of land, they faced the difficulties inherent to an inhospitable and isolated environment in the Tibagi hinterland, aggravated by the lack and/or delay in the sending of resources by the government, which represented by the directors, promoted various strategies of coercion and control of the actions and activities of these subjects through laws, decrees and military regulations. It was identified that many settlers did not remain passive in the face of this situation and within their interests, possibilities and reach, they either gave up and left with their loved ones for other places or remained with their families and promoted diverse tactics of resistance against the determinations and guidelines they considered incompatible with their intentions, possibilities or needs, sometimes subverting or readapting the imposed order, in favor of their survival, better living conditions and access to land. In their trajectories of successes and failures, of withdrawals and stays, they acted according to their desires, in conflicts or negotiations, in starting from the core or staying and facing adversities, which together with other factors, led some administrators to question the “military” character of the colony, recognizing that the rigidly stipulated norms did not adapt to the realities of that population, and that the agricultural and commercial development generated by the effort and work of the civilians were limited and far from their expectations, not because of “ineptitude” and their “indolence”, since they produced for themselves and for the nucleus, keeping it in activity for more than four decades, but due to the lack of greater interests and investments from the State itself. |
| Palavras-chave: | Colônia Militar do Jataí Colonos paisanos Resistência Província do Paraná Jataí Military Colony Settlers paisanos Resistance Province of Paraná |
| Área(s) do CNPq: | CIENCIAS HUMANAS::HISTORIA::HISTORIA DO BRASIL::HISTORIA DO BRASIL IMPERIO |
| Idioma: | por |
| País: | Brasil |
| Instituição: | Universidade do Estado do Rio de Janeiro |
| Sigla da instituição: | UERJ |
| Departamento: | Centro de Educação e Humanidades::Faculdade de Formação de Professores |
| Programa: | Programa de Pós-Graduação em História Social |
| Citação: | LEITE, Carlos Henrique Ferreira. “De militar só tinha o nome e seu comandante”: cotidiano, trabalho, terra e resistência dos colonos paisanos na Colônia Militar do Jataí – Província do Paraná (1840-1897). 2024. 285 f. Tese (Doutorado em História Social) – Faculdade de Formação de Professores, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, São Gonçalo, 2024. |
| Tipo de acesso: | Acesso Aberto |
| URI: | http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/24062 |
| Data de defesa: | 21-Nov-2024 |
| Aparece nas coleções: | Doutorado em História Social |
Arquivos associados a este item:
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| Tese - Carlos Henrique Ferreira Leite - 2024 - Completa.pdf | Documento principal | 6,54 MB | Adobe PDF | Baixar/Abrir Pré-Visualizar |
| Termo - Carlos Henrique Ferreira Leite - 2025.pdf | 347,4 kB | Adobe PDF | Baixar/Abrir Pré-Visualizar Solictar uma cópia | |
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