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http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/24243| Tipo do documento: | Tese |
| Título: | Entre mães, encontros e afetos: adolescentes condenados como infratores em Petrópolis-RJ |
| Título(s) alternativo(s): | Among mothers, encounters, and affection: adolescents convicted as offenders in Petrópolis-RJ |
| Autor: | Souza, Juliane de Oliveira ![]() |
| Primeiro orientador: | Scheinvar, Estela |
| Primeiro membro da banca: | Lemos, Flávia Cristina Silveira |
| Segundo membro da banca: | Almeida, Ney Luiz Teixeira de |
| Terceiro membro da banca: | Terra, Ana Marcela da Silva |
| Quarto membro da banca: | Zamora, Maria Helena |
| Resumo: | Esta tese traz as vivências de mulheres, mães de adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas, condenados como infratores no município de Petrópolis - RJ, com foco na sua condição de mulheres negras, cujas existências se dão em contextos de violência e precariedade social. A pesquisa tem como cenário o Serviço de Medidas Socioeducativas (SEMESE) do Centro de Referência Especializada de Assistência Social (CREAS) e como método o encontro em grupos, assim como o diário de campo. Problematiza a relação que se estabelece com os corpos das mulheres que são instrumentos de governo e controle, que em especial são subordinados e moldados por marcadores de raça, classe e gênero – o cerne da interseccionalidade. As opressões vivenciadas por essas mães se cruzam, intensificando as violências que sofrem diariamente. A pesquisa mostra o modo como o controle sobre a vida e o corpo das mulheres faz parte de uma estrutura que define o lugar de cada uma, sob uma lógica que as vê como instrumentos para manter a estabilidade da família e da sociedade, o que é mais incisivo ainda no caso das mulheres negras. O trabalho problematiza a lógica punitivista que estrutura o sistema socioeducativo e está presente na relação com as mães dos apenados, evidenciando como as práticas de criminalização são marcadas pelo racismo, que transforma adolescentes negros e periféricos em "inimigos sociais". Ao mesmo tempo, a pesquisa destaca a potência do afeto como ferramenta para criar novos modos de subjetivação e agenciamentos possíveis, apresentando relatos de encontros entre adolescentes, mães e profissionais do CREAS como espaços de transformação. Traz um panorama das prisões e do sistema socioeducativo, bem como os impactos da pandemia da Covid-19 nesses espaços e nos processos de cumprimento de medidas socioeducativas, já que esta tese atravessou o período pandêmico iniciado em 2020. Um elemento importante foi o estudo dos impactos do neoliberalismo para a manutenção de um sistema punitivo e a tendência a lidar com a conflitividade social por meio da perspectiva penal. Dentre os cenários pesquisados, a guerra às drogas é uma importante estratégia de encarcerar adolescentes, negros e pobres. A partir de uma análise construída com o conceito de biopolítica, como proposto por Foucault, e de necropolítica, como desenvolvido por Mbembe, a pesquisa aborda as dinâmicas de controle que organizam as relações entre o Estado, a juventude periférica e suas famílias, resultando em morte e extermínio de negros e pobres. Ao unir reflexões teóricas e experiências práticas, a pesquisa propõe alternativas ao sistema punitivo, alinhando-se ao horizonte do abolicionismo penal e a visões que imaginam outros mundos possíveis. |
| Abstract: | This thesis explores the experiences of women, specifically mothers of adolescents serving socio-educational measures, convicted as offenders in the municipality of Petrópolis, RJ, focusing on their condition as Black women whose lives unfold within contexts of violence and social precariousness. The research takes place at the Socio-Educational Measures Service (SEMESE) of the Specialized Social Assistance Reference Center (CREAS) and employs group meetings and a field journal as its primary methods. It critically examines the relationship established with women’s bodies, which are treated as instruments of governance and control, particularly shaped and subordinated by markers of race, class, and gender—the core of intersectionality. The oppressions experienced by these mothers intersect, amplifying the violence they endure daily. The research reveals how the control over women’s lives and bodies is part of a structure that defines their roles within a logic that perceives them as tools to maintain family and societal stability, a dynamic that is even more pronounced in the case of Black women. The study problematizes the punitive logic underpinning the socio-educational system and its relationship with the mothers of offenders, highlighting how practices of criminalization are marked by racism, which transforming black and marginalized adolescents into "social enemies." At the same time, the research emphasizes the transformative power of affection as a tool to create new modes of subjectivity and potential forms of agency, presenting accounts of encounters among adolescents, mothers, and CREAS professionals as spaces for transformation. It provides an overview of prisons and the socio-educational system, as well as the impacts of the Covid-19 pandemic on these spaces and the processes of complying with socio-educational measures, given that this thesis spans the pandemic period beginning in 2020. An important element is the examination of the impacts of neoliberalism on the maintenance of a punitive system and the trend of addressing social conflicts through penal perspectives. Among the scenarios studied, the "war on drugs" emerges as a critical strategy for incarcerating poor and black adolescents. Drawing on the concepts of biopolitics, as proposed by Foucault, and necropolitics, as developed by Mbembe, the research addresses the dynamics of control that structure the relationships between the State, marginalized youth, and their families, culminating in the death and extermination of Black and poor individuals. By integrating theoretical reflections and practical experiences, the research proposes alternatives to the punitive system, aligning with the vision of penal abolitionism and perspectives that imagine possible alternative worlds. |
| Palavras-chave: | Mulheres negras Mães Adolescentes Medidas socioeducativas Racismo CREAS Afeto Black women Mothers Adolescents Socioeducational measures Racism Affection |
| Área(s) do CNPq: | CIENCIAS HUMANAS |
| Idioma: | por |
| País: | Brasil |
| Instituição: | Universidade do Estado do Rio de Janeiro |
| Sigla da instituição: | UERJ |
| Departamento: | Centro de Educação e Humanidades |
| Programa: | Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Formação Humana |
| Citação: | SOUZA, Juliane de Oliveira. Entre mães, encontros e afetos: adolescentes condenados como infratores em Petrópolis-RJ. 2025. 140 f. Tese (Doutorado em Políticas Públicas e Formação Humana) - Centro de Educação e Humanidades, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2025. |
| Tipo de acesso: | Acesso Aberto |
| URI: | http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/24243 |
| Data de defesa: | 18-Fev-2025 |
| Aparece nas coleções: | Doutorado em Políticas Públicas e Formação Humana |
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| Termo - Juliane de Oliveira Souza - 2025.pdf | 363,5 kB | Adobe PDF | Baixar/Abrir Pré-Visualizar Solictar uma cópia | |
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