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Tipo do documento: Dissertação
Título: Epidemiologia da injúria renal aguda nos anos de pandemia: padrões de gravidade e recuperação em pacientes com e sem COVID-19 em hospitais público e privado no Rio de Janeiro
Título(s) alternativo(s): Epidemiology of acute kidney injury in the pandemic years: patterns of severity and recovery in patients with and without COVID-19 in Public and private hospitals in Rio de Janeiro
Autor: Faria, Natalia Piazzi de 
Primeiro orientador: Suassuna, José Hermógenes Rocco
Primeiro membro da banca: Alves, Rogério Lopes Rufino
Segundo membro da banca: Mendes, Renata de Souza
Terceiro membro da banca: Barbosa, Maria Izabel Neves de Holanda
Resumo: A pandemia da doença associada ao coronavírus 2019 (COVID-19) impôs desafios substanciais aos sistemas de saúde globalmente, marcada por uma mortalidade acentuada e pelo aumento dos custos de saúde, além de impactos econômicos e sociais. Uma das complicações mais graves, além do acometimento pulmonar, foi a injúria renal aguda (IRA). Esta complicação despertou preocupações significativas devido ao seu impacto na morbidade e mortalidade dos pacientes com COVID-19, e foi amplamente estuda nesses três anos da pandemia. No entanto, algumas lacunas na compreensão da epidemiologia da IRA permaneceram, dentre elas a comparação da IRA entre os pacientes com e sem COVID-19, admitidos ao mesmo tempo durante os períodos críticos da pandemia, e a epidemiologia detalhada da IRA nesse contexto, em países emergentes, como o Brasil. Outro aspecto não estudado foi o impacto potencial do tipo de administração hospitalar (pública vs. privada) na evolução da IRA na COVID-19, o que poderia revelar disparidades econômicas nos desfechos destes pacientes. Com o objetivo de preencher essas lacunas, conduzimos um estudo retrospectivo de dados prospectivamente coletados de pacientes admitidos em unidades de terapia intensiva (UTI) de dois hospitais de grande porte no Rio de Janeiro, um público e um privado. Foi utilizada a plataforma EPIMED para a coleta dos dados, entre março de 2020 a abril de 2022. Utilizando métodos de regressão logística e análises de sobrevivência de Kaplan-Meier, analisamos, após exclusões, um total de 9.112 admissões em UTI, das quais 2.333 pacientes (25,6%) foram diagnosticados com COVID-19. Pacientes com COVID-19 tiveram um tempo de internação na UTI mais longo (9 vs. 3 dias, p<0.001), maior necessidade de ventilação mecânica (47,3% vs. 20,2% p<0.001) e uma incidência aumentada de IRA (79,7% vs. 52,6% p<0.001). A recuperação da função renal foi significativamente menor em pacientes com COVID-19 (32,7% vs. 55,4% p<0.001), com risco mais alto para doença renal aguda (IRA não recuperada) na alta hospitalar (OR 1,99; IC 1,74–2,28). Analisando somente os 2.333 pacientes diagnosticados com COVID-19 e comparando a epidemiologia entre as instituições, observamos que a incidência de IRA não diferiu significativamente entre os hospitais público e privado (80,4% vs. 78,8%, p=0.315), embora a utilização de recursos de UTI tenha sido mais elevada no hospital privado. A mortalidade foi maior no hospital público (46,7% vs. 31,3%, p<0.001), com um odds ratio ajustado de 4,44 (IC 3,36–5,93). Realizamos análises de sensibilidade para abordar o potencial viés das vias de encaminhamento tardio dos pacientes no hospital público, o que não mudou de forma significativa os achados. Este estudo destaca os efeitos distintos da COVID-19 grave, que diferem de outras causas de IRA na UTI e ressalta a importância de melhorar a preparação para pandemias e desenvolver estratégias de saúde eficazes para proteger a saúde renal contra adversidades futuras. Além disso, nossos achados indicam um potencial de disparidade no desfecho da doença de acordo com o tipo de hospital, com possível pior desfecho em hospitais públicos, em face de um desafio de tal magnitude em saúde pública.
Abstract: The pandemic of the disease associated with the coronavirus 2019 (COVID-19) imposed substantial challenges on global health systems, marked by increased mortality and healthcare costs, as well as economic and social impacts. One of the most severe complications, besides pulmonary affliction, was acute kidney injury (AKI). This complication raised significant concerns due to its impact on the morbidity and mortality of patients with COVID-19, and it has been extensively studied over the three years of the pandemic. However, some gaps in the understanding of the epidemiology of AKI remained, including the comparison of AKI among patients with and without COVID-19, admitted at the same time during critical periods of the pandemic, and the detailed epidemiology of AKI in this context, in emerging countries such as Brazil. Another unstudied aspect was the potential impact of the type of hospital management (public vs. private) on the evolution of AKI in COVID-19, which could reveal economic disparities in the outcomes of these patients. To address these gaps, we conducted a retrospective study using prospectively collected data from patients admitted to intensive care units (ICU) of two major hospitals in Rio de Janeiro, one public and one private. The EPIMED platform was used for data collection from March 2020 to April 2022. Using logistic regression methods and Kaplan-Meier survival analyses, we initially analyzed 9,112 ICU admissions, of which 2,333 patients (25.6%) were diagnosed with COVID-19. Patients with COVID-19 had a more extended ICU stay (9 vs. three days), a higher need for mechanical ventilation (47.3% vs. 20.2%, p<0.001), and an increased incidence of AKI (79.7% vs. 52.6%, p<0.001). The recovery of renal function was significantly lower in patients with COVID-19 (32.7% vs. 55.4%, p<0.001), with a higher risk for acute kidney disease (unrecovered AKI) at hospital discharge (OR 1.99; CI 1.74–2.28). Analyzing only the 2,333 patients diagnosed with COVID-19 and comparing the epidemiology between the institutions, we observed that the incidence of AKI did not differ significantly between public and private hospitals (80.4% vs. 78.8%, p=0.385). However, the use of ICU resources was higher in the private hospital. Mortality was higher in the public hospital (46.7% vs. 31.3%, p<0.001), with an adjusted odds ratio of 4.44 (CI 3.36–5.93). We conducted sensitivity analyses to address the potential bias from late referral pathways of patients in the public hospital, which did not significantly change the findings. This study highlights the distinct effects of severe COVID-19, which differ from other causes of AKI in the ICU. It underscores the importance of improving pandemic preparedness and developing effective health strategies to protect renal health against future adversities. Additionally, our findings indicate a potential for disparity in the disease outcome according to the type of hospital, with possibly worse outcomes in public hospitals, in the face of a challenge of such magnitude in public health.
Palavras-chave: COVID-19 – Epidemiologia
Injúria renal aguda – Complicações
Unidade de terapia intensiva – Estatística e dados numéricos
Epidemiologia
Recuperação
Tipo de hospital
Acute kidney injury
Intensive care unit
Epidemiology
Recovery
Type of hospital
Área(s) do CNPq: CIENCIAS DA SAUDE
Idioma: por
País: Brasil
Instituição: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Sigla da instituição: UERJ
Departamento: Centro Biomédico::Faculdade de Ciências Médicas
Programa: Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas
Citação: FARIA, Natalia Piazzi de. Epidemiologia da injúria renal aguda nos anos de pandemia: padrões de gravidade e recuperação em pacientes com e sem COVID-19 em hospitais público e privado no Rio de Janeiro. 2024. 98 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Médicas) – Faculdade de Ciências Médicas, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2024.
Tipo de acesso: Acesso Aberto
URI: http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/24308
Data de defesa: 10-Jul-2024
Aparece nas coleções:Mestrado em Ciências Médicas



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