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Tipo do documento: Dissertação
Título: Descolonizando as emoções: um giro amefricano pelo discurso sobre as emoções nas bases do pensamento moderno
Título(s) alternativo(s): Decolonizing Emotions: An Amefrican Turn through the Discourse on Emotions in the Foundations of Modern Thought
Autor: Quintan, Victor Hugo Soares
Primeiro orientador: Mendonça, André Luís de Oliveira
Primeiro membro da banca: Amorim, Cristiane Maria
Segundo membro da banca: Baptista, Tatiana Wargas de Faria
Resumo: Este trabalho explora criticamente a dicotomia moderna entre razão e emoção, evidenciando como essa separação opera como um dispositivo de poder na construção de hierarquias raciais, epistêmicas e existenciais. Observa-se que a racionalidade, elevada a fundamento da moralidade, ciência e cidadania, foi racializada, tornando-se critério de validação da humanidade, enquanto os afetos, associados à instabilidade e ao corpo, foram sistematicamente relegados à irracionalidade e inferioridade, fundamentando o racismo. A dissertação utiliza o conceito de "contrato racial" de Charles Mills para desvelar a lógica excludente do pacto social moderno, aprofundando-o com a "estratégia de engolfamento" de Denise Ferreira da Silva, que explica como a separação entre razão e emoção subjuga populações não brancas e contribui para o colonialismo. O estudo articula essas reflexões ao pensamento negro brasileiro, com ênfase no legado de Lélia Gonzalez, propondo o "giro amefricano" como um movimento epistemológico que reconecta saber e sentir para possibilitar novas práticas. A pesquisa, ancorada em um relato pessoal sobre a demolição da Aldeia Imbuhy, em Niterói (RJ), demonstra a politização da raiva e do luto como forças de resistência e ressignificação. Propõe-se um "desencantamento da raiva" que recusa imperativos morais e reabre o sensível como campo de disputa e reinvenção. O trabalho, desenvolvido em um programa de bioética em saúde coletiva, defende uma bioética sensível aos afetos e experiências plurais, capaz de enfrentar assimetrias históricas, reconhecer sofrimentos racializados e promover o cuidado radical. Conclui-se com um convite à continuidade das investigações sobre a colonialidade das emoções e à escuta de epistemologias não hegemônicas, visando uma saúde pública mais equitativa e a construção de outros modos de viver, sentir e cuidar
Abstract: This work critically explores the modern dichotomy between reason and emotion, evidencing how this separation operates as a power device in the construction of racial, epistemic, and existential hierarchies. It observes that rationality, elevated as the foundation of morality, science, and citizenship, was racialized, becoming a criterion for validating humanity, while affects, associated with instability and the body, were systematically relegated to irrationality and inferiority, thus underpinning racism. The dissertation uses Charles Mills's concept of the "racial contract" to unveil the exclusionary logic of the modern social pact, deepening it with Denise Ferreira da Silva's "engulfment strategy," which explains how the separation between reason and emotion subjugates non-white populations and contributes to colonialism. The study articulates these reflections with Brazilian Black thought, with an emphasis on Lélia Gonzalez's legacy, proposing the "Amefrican turn" as an epistemological movement that reconnects knowing and feeling to enable new practices. The research, anchored in a personal account of the demolition of Aldeia Imbuhy, in Niterói (RJ), demonstrates the politicization of rage and grief as forces of resistance and re-signification. It proposes a "disenchantment of rage" that rejects moral imperatives and reopens the sensible as a field of dispute and reinvention. The work, developed within a bioethics program in collective health, advocates for a bioethics sensitive to affects and plural experiences, capable of confronting historical asymmetries, recognizing racialized suffering, and promoting radical care. It concludes with an invitation to continue investigations into the coloniality of emotions and to listen to non-hegemonic epistemologies, aiming for a more equitable public health system and the construction of other ways of living, feeling, and caring
Palavras-chave: Affect
Decoloniality
Racism
Bioethics
Emoções
Descolonização
Racismo
Pensamento - Bioética
Negro ou Afro-Americano
Brancos
Afeto
Decolonialidade
Bioética
Área(s) do CNPq: CIENCIAS DA SAUDE::SAUDE COLETIVA
Idioma: por
País: Brasil
Instituição: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Sigla da instituição: UERJ
Departamento: Centro Biomédico::Instituto de Medicina Social Hesio Cordeiro
Programa: Programa de Pós-Graduação em Bioética, Ética aplicada e Saúde Coletiva
Citação: QUINTAN, Victor Hugo. Descolonizando as emoções: um giro amefricano pelo discurso sobre as emoções nas bases do pensamento moderno. 2025. 69 f. Dissertação (Mestrado em Bioética, Ética Aplicada e Saúde Coletiva) – Instituto de Medicina Social Hesio Cordeiro, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2025
Tipo de acesso: Acesso Aberto
URI: http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/24362
Data de defesa: 14-Jul-2025
Aparece nas coleções:Mestrado em Bioética, Ética aplicada e Saúde Coletiva



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