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http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/24720| Tipo do documento: | Tese |
| Título: | Não Mexa No Meu Cocar: conversas entre micropolíticas e formação inventiva de professores na escola municipal indígena guarani para poty nhe' ë já |
| Título(s) alternativo(s): | Don't touch my headdress: conversations between micropolitics and inventive teacher training at the Guarani municipal indigenous school for poty nhe' ë já N ani repoko che akãrague rehe: ñomongeta micropolítica ha mbo'ehára ñembokatupyry inventivo rehegua mbo'ehao indígena municipal Guarani-pe poty nhe' ë já-pe guarã |
| Autor: | Santos, Rodrigo de Moura ![]() |
| Primeiro orientador: | Dias, Rosimeri de Oliveira |
| Primeiro membro da banca: | Guerreiro, Alexandre Silva |
| Segundo membro da banca: | Hebert, Fabio |
| Terceiro membro da banca: | Cuevas, Marcia Roxana Cruces |
| Quarto membro da banca: | Oliveira, Marcia Lisboa Costa de |
| Resumo: | “Não mexa no meu cocar” é expressão viva das lutas dos povos originários do Brasil. Nesta pesquisa, ela ganha forma e força na experiência com a Escola Municipal Indígena Para Poty Nhe E Já, localizada nas margens do Rio São Bento, em Maricá, no Rio de Janeiro. Há dois eixos de análise e de intervenção que posicionam esta tese por escolher micropolítica e formação inventiva de professores como constante gesto de fazer valer as lutas dos povos originários do município de Maricá, são eles: 1 - problematizar e desconstruir certa noção genérica de indígena e 2 - a tentativa de implantação do Programa Municipal de Educação em Tempo Integral (PROMETI) na Escola Municipal Indígena Guarani Para Poty Nhe' Ë Já e os conflitos decorrentes dessa tentativa de ajustar ritos e tradições indígenas a um espaço marcado por práticas colonizadoras. Eixos e caminhos investigativos que permitem perguntar: Que relações de forças a noção genérica de indígena possui? Com que articulações se tornam socialmente instituídas e parecem ser suficientes para nomear e narrar povos tão distintos, unificando histórias tão plurais? A noção genérica de indígena está profundamente enraizada em relações de forças históricas, onde o poder colonial, aliado ao saber científico e etnográfico, desempenhou papel central na criação de categorias que reduzem a pluralidade dos povos indígenas a um único termo. Essas forças operam por meio de processos discursivos e não discursivos que naturalizam e universalizam características atribuídas a todos os indígenas, ignorando suas especificidades culturais, históricas e sociais. A pesquisa fundamenta-se em autores e militantes indígenas como Ailton Krenak, Daniel Munduruku, Eliane Potiguara entre outros, para realizar uma leitura crítica sobre processos de resistência cultural e o enfrentamento das imposições eurocêntricas. Saberes indígenas,que abarcam conhecimentos ancestrais que se manifestam em práticas relacionadas ao cuidado com a terra, ao uso sustentável dos recursos naturais, à medicina tradicional e à oralidade como forma de transmissão cultural, alinhados à experiência concreta das comunidades, servem como pilares fundamentais para pensar a formação docente em contextos plurais e para promover práticas educativas que compõem com a diversidade. Há outros autores que nos ajudam a colocar em análise as tecituras micropolíticas e inventiva na escola e na formação de professores, tal como Michel Foucault, Gilles Deleuze, Félix Guattari, Rosimeri de Oliveira Dias, entre outros. A micropolítica é compreendida como um campo dinâmico de experimentação e de criação de novos modos de existência. Formação inventiva se apresenta como um processo contínuo de problematização, onde professores e estudantes cocriam saberes por entre suas experiências e raízes culturais. A metodologia adotada integra dispositivos da análise institucional e da cartografia, dialogando diretamente com a realidade da escola indígena. O trabalho é tecido e escrito - tecescrito - para propor a construção de uma educação que vá além da reprodução de conteúdos eurocêntricos, ressaltando a importância de práticas pedagógicas que considerem os saberes locais como elementos centrais no currículo escolar. Nesse sentido, a Escola Municipal Indígena Para Poty Nhe E Já é cartografada e ganha forma como um espaço de reinvenção cultural, social e pedagógica, onde as tradições indígenas são vivificadas, fortalecendo a identidade dos alunos e promovendo o diálogo intercultural. A escrita da tese é desenvolvida por meio de um "textório", termo criado pelo autor para descrever o processo de tecer palavras, memórias e experiências em uma narrativa fluida e sensível, como as águas. A escrita é habitada pelo rio e permeia todo o trabalho, simbolizando tanto a resistência quanto a continuidade das culturas indígenas, que se mantêm vivas apesar das inúmeras tentativas de apagamento histórico e cultural. O texto assume, assim, uma posição ético-político-estética ao reforçar que a educação escolar indígena não deve ser apenas um espaço de aprendizado formal, mas também um território de luta, onde os povos originários possam continuar narrando suas autoestórias e resistindo às tentativas de silenciamento.O estudo conclui que a formação inventiva de professores, quando associada a práticas pedagógicas que valorizam os saberes indígenas, contribui para a construção de uma educação plural e pelas margens. Essa formação, ao mesmo tempo que se posiciona como um ato de resistência, promove o reconhecimento das múltiplas formas de ser e de aprender, evidenciando que a educação indígena, para além de uma política pública, é uma ferramenta de (re)existência cultural e de luta pelos direitos dos povos originários. |
| Abstract: | “Don’t touch my headdress” is a living expression of the struggles of the indigenous peoples of Brazil. In this research, it gains form and strength in the experience with the Para Potynhe’ Ê Já Indigenous Municipal School, located on the banks of the São Bento River, in Maricá, Rio de Janeiro. There are two axes of analysis and intervention that position this thesis by choosing micropolitics and inventive teacher training as a constant gesture of making the struggles of the indigenous peoples of the municipality of Maricá count, they are: 1 - problematizing and deconstructing a certain generic notion of indigenous and 2 - the attempt to implement the Municipal Full-Time Education Program (PROMETI) at the Para Potynhe’ Ê Já Já Indigenous Municipal School and the conflicts arising from this attempt to adjust indigenous rites and traditions to a space marked by colonizing practices. Axes and investigative paths that allow us to ask: What power relations does the generic notion of indigenous have? What are the socially established articulations that seem to be sufficient to name and narrate such distinct peoples, unifying such plural histories? The generic notion of indigenous is deeply rooted in historical power relations, where colonial power, combined with scientific and ethnographic knowledge, played a central role in the creation of categories that reduce the plurality of indigenous peoples to a single term. These forces operate through discursive and non-discursive processes that naturalize and universalize characteristics attributed to all indigenous peoples, ignoring their cultural, historical and social specificities. The research is based on indigenous authors and activists such as Ailton Krenak, Daniel Munduruku, Eliane Potiguara, among others, to conduct a critical reading of processes of cultural resistance and the confrontation of Eurocentric impositions. Indigenous knowledge, which encompasses ancestral knowledge that manifests itself in practices related to land care, sustainable use of natural resources, traditional medicine, and oral tradition as a form of cultural transmission, aligned with the concrete experience of communities, serves as fundamental pillars for thinking about teacher training in plural contexts and for promoting educational practices that are in keeping with diversity. There are other authors who help us analyze the micropolitical and inventive structures in schools and teacher training, such as Michel Foucault, Gilles Deleuze, Félix Guattari, Rosimeri de Oliveira Dias, among others. Micropolitics is understood as a dynamic field of experimentation and creation of new modes of existence. Inventive training presents itself as a continuous process of problematization, where teachers and students co-create knowledge through their experiences and cultural roots. The methodology adopted integrates devices from institutional analysis and cartography, dialoguing directly with the reality of indigenous schools. The work is woven and written - woven - to propose the construction of an education that goes beyond the reproduction of Eurocentric content, highlighting the importance of pedagogical practices that consider local knowledge as central elements in the school curriculum. In this sense, the Municipal Indigenous School Para Poty Nhe E Já is mapped and takes shape as a space for cultural, social and pedagogical reinvention, where indigenous traditions are brought to life, strengthening the identity of students and promoting intercultural dialogue. The writing of the thesis is developed through a "textory", a term created by the author to describe the process of weaving words, memories and experiences into a fluid and sensitive narrative, like the waters. The writing is inhabited by the river and permeates the entire work, symbolizing both the
resistance and the continuity of indigenous cultures, which remain alive despite countless attempts at historical and cultural erasure. The text thus assumes an ethical-political-aesthetic position by reinforcing that indigenous school education should not only be a space for formal learning, but also a territory of struggle, where indigenous peoples can continue to tell their self-stories and resist attempts to silence them. The study concludes that inventive teacher training, when associated with pedagogical practices that value indigenous knowledge, contributes to the construction of a plural and marginalized education. This training, while positioning itself as an act of resistance, promotes the recognition of multiple ways of being and learning, showing that indigenous education, beyond a public policy, is a tool for cultural (re)existence and the struggle for the rights of indigenous peoples. “Ani repoko che akãre” ha'e peteî expresión viviente umi lucha orekóva pueblo indígena Brasil-gua. Ko investigación-pe, ohupyty forma ha mbarete experiencia orekóva Escuela Indígena Municipal Para Poty Nhe E Já ndive, opytáva ysyry São Bento rembe'ýre, Maricá, Río de Janeiro-pe. Oî mokõi eje de análisis ha intervención oposicionáva ko tesis oiporavóvo micropolítica ha capacitación inventiva docente ha'éva peteî gesto constante ojapóvo umi lucha pueblo original municipio Maricá-gua oconta, ha'ekuéra: 1 - problematizando ha desconstruido cierto noción genérica indígena ha 2 - oñeha'ãva omoañetévo Programa Municipal de Educación Tiempo Completo (PROMETI) Escuela Paraguaya Municipal-pe Potynhe’ Ê Já Já ha umi conflicto heñóiva ko ñeha’ãgui omohenda rito ha tradición indígena peteî espacio marcado práctica colonizadora. Umi eje ha tape investigativo ñandepermitíva ñaporandu: Mba’e relación poderpa oguereko pe noción genérica indígena rehegua? Mba’e articulación reheve oñeinstitui socialmente ha ha’ete suficiente ombohéra ha omombe’u haĝua ko’ãichagua pueblo distinto, ombojoajúvo ko’ãichagua historia plural? Pe noción genérica indígena rehegua oñemopyenda pypuku umi relación poder histórica-pe, ko’ápe poder colonial, oñembojoajúva conocimiento científico ha etnográfico rehe, oguereko peteî rol central omoheñóivo categoría omboguejýva pluralidad pueblo indígena peteî término-pe. Ko'ã fuerza omba'apo proceso discursivo ha no discursivo rupive onaturalisa ha ouniversaliza característica ojeatribuíva opavave indígena-pe, omboykévo especificidad cultural, histórica ha social orekóva. Ko investigación oñemopyenda autor ha activista indígena ha'eháicha Ailton Krenak, Daniel Munduruku, Eliane Potiguara, ambue apytépe, omotenonde haguã lectura crítica umi proceso de resistencia cultural ha confrontación imposición eurocéntrica. Umi mba’ekuaa ypykuéra rehegua, oikehápe umi mba’ekuaa ypykue rehegua ojehechaukáva umi tembiapo ojoajúva yvy ñeñangareko rehe, recurso natural jeporu sostenible, pohã ñana ha oralidad peteĩ forma de transmisión cultural ramo, oñembojoajúva experiencia concreta comunidad-kuéra ndive, oservi pilar fundamental ramo ojepy’amongeta haguã mbo’ehára ñembokatupyry rehe contexto plural-pe ha omokyre’ỹ haguã práctica educativa omoheñóiva diversidad reheve. Oî ambue haihára ñanepytyvõva ñahesa'ÿijo haguã estructura micropolítica ha inventiva mbo'ehaópe ha mbo'ehára ñembokatupyry, ha'eháicha Michel Foucault, Gilles Deleuze, Félix Guattari, Rosimeri de Oliveira Dias, ambue apytépe. Micropolítica oñentende peteî campo dinámico experimentación ha omoheñóiva umi modo de existencia pyahu. Capacitación inventiva oñepresenta proceso continuo problematización ramo, mbo'ehára ha temimbo'e omoheñóiva conocimiento experiencia ha hapo cultural rupive. Ko metodología ojeadoptáva ointegra análisis institucional ha umi dispositivo cartografía, oñomongeta directamente realidad mbo'ehao indígena ndive. Ko tembiapo ojeteje ha ojehai -ojeteje- opropone haguã construcción tekombo'e ohasáva reproducción contenido eurocéntrico, omomba'évo importancia orekóva práctica pedagógica ohecháva conocimiento local elemento central currículo escolar-pe. Ko sentido-pe, Escuela Indígena Municipal Para Poty Nhe E Já oñemomape ha oreko forma espacio ramo reinvención cultural, social ha pedagógica, ko'ápe oñemoingove tradición indígena, omombaretévo identidad temimbo'ekuéra ha omokyre'ÿ diálogo intercultural. Tesis jehai oñemoakãrapu'ã "textorio" rupive, ñe'ê omoheñóiva haihára omombe'u haguã proceso de tejido ñe'ê, mandu'a ha experiencia peteî narrativa fluida ha sensitiva, yicha. Jehai oiko ysyry ha oike tembiapo pukukue, ohechaukáva mokõive resistencia ha continuidad cultura indígena, opytáva oikovéva jepénte hetaiterei oñeha'ã borrado histórico ha cultural. Péicha texto oasumi posición ética-política-estética omombaretévo educación escolar indígena ndaha'éi va'erã peteî espacio aprendizaje formal- pe guarãnte, sino avei peteî territorio de lucha, ikatuhápe umi pueblo nativo osegi omombe'u autohistoria ha oresisti oñeha'ãvo omokirirî haguã Ko estudio omohu'ã capacitación inventiva mbo'ehára, oñembojoajúvo práctica pedagógica omomba'éva construcción peteîpl tekombo’e ural ha marginado-pe. Ko capacitación, oñemohenda ramo jepe acto de resistencia ramo, omokyre'ÿ reconocimiento múltiple forma de ser ha aprendizaje, ohechaukáva tekombo'e indígena, ohasáva política pública, ha'éva tembiporu (re)existencia cultural ha lucha derecho orekóva pueblo nativo. |
| Palavras-chave: | Saberes tradicionais indígenas Educação indígena Resistência cultural Invenção Cartografia Traditional indigenous knowledge Indigenous education Cultural resistance Invention Cartography Ypykuéra arandu ymaguare Ypykuéra tekombo’e Resistencia cultural rehegua Invención rehegua Cartografía rehegua |
| Área(s) do CNPq: | CIENCIAS HUMANAS::EDUCACAO::TOPICOS ESPECIFICOS DE EDUCACAO |
| Idioma: | por |
| País: | Brasil |
| Instituição: | Universidade do Estado do Rio de Janeiro |
| Sigla da instituição: | UERJ |
| Departamento: | Centro de Educação e Humanidades::Faculdade de Formação de Professores |
| Programa: | Programa de Pós-Graduação em Educação - Processos Formativos e Desigualdades Sociais |
| Citação: | SANTOS, Rodrigo de moura. Não mexa no meu cocar: conversas entre micropolíticas e formação inventiva de professores na escola municipal indígena guarani para poty nhe' ë já. 2025. 243 f. Tese (Doutorado em Educação - Processos Formativos e Desigualdades Sociais) – Faculdade de Formação de Professores, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, São Gonçalo, 2025. |
| Tipo de acesso: | Acesso Aberto |
| URI: | http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/24720 |
| Data de defesa: | 31-Mar-2025 |
| Aparece nas coleções: | Doutorado em Educação - Processos Formativos e Desigualdades Sociais |
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