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Tipo do documento: Tese
Título: O papel da violência entre parceiros íntimos no consumo alimentar e no estado nutricional de crianças entre seis e trinta meses
Título(s) alternativo(s): The role of intimate partner violence in food consumption and nutritional status of children aged six to thirty months
Autor: Pimenta, Natália Gomes 
Primeiro orientador: Marques, Emanuele Souza
Primeiro membro da banca: Cunha, Diana Barbosa
Segundo membro da banca: Vaz, Juliana dos Santos
Terceiro membro da banca: Buffarini, Romina
Resumo: Esta tese teve como objetivo investigar a relação entre a exposição à violência entre parceiros íntimos (VPI) e dois desfechos em crianças de seis a trinta meses de idade: o excesso de peso e o consumo de marcadores de alimentação saudável. Foram utilizados dados do projeto “Variação de Insegurança Alimentar e Nutricional, do consumo dietético e de medidas antropométricas, no período de 2005 a 2009/2010”, conduzido em Campos Elísios, 2º Distrito de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. A pesquisa teve delineamento transversal de base populacional, com amostragem por conglomerados em três estágios (setores censitários, domicílios e indivíduos), incluindo domicílios com crianças entre seis a 30 meses e mulheres que mantiveram relacionamento afetivo nos doze meses anteriores à entrevista. A VPI, nas formas física e psicológica, tanto contra a mulher quanto entre o casal, foi avaliada pela Revised Conflict Tactics Scale (CTS2), validada para o contexto brasileiro. As análises estatísticas foram realizadas no software Stata 17.0, por meio de regressão logística multivariada, com ponderação para o plano amostral. O primeiro manuscrito examinou a associação entre a VPI e o excesso de peso infantil, avaliado pelo índice de massa corporal para a idade (IMC/I). Os resultados indicaram que 69,3% das mulheres relataram violência psicológica e 26,9% violência física; entre os casais, esses percentuais foram de 79,6% e 36,8%, respectivamente. O segundo manuscrito analisou a relação entre a VPI e o consumo de frutas, hortaliças, feijão e aleitamento materno. O consumo alimentar foi aferido por recordatório de 24 horas aplicado ao cuidador principal. A exposição à violência contra a mulher esteve associada à menor chance de consumo de frutas e hortaliças pelas crianças (OR: 0,75; IC95%: 0,58–0,97), enquanto a violência física entre o casal associou-se à menor probabilidade de aleitamento materno por seis meses ou mais (OR: 0,86; IC95%: 0,78–0,94). Não foram observadas associações significativas entre a VPI e o consumo de feijão, nem entre a violência no casal e o consumo de frutas e hortaliças. Os achados desta tese evidenciam que a VPI, mesmo quando não direcionada diretamente à criança, pode repercutir negativamente sobre o estado nutricional e os hábitos alimentares na primeira infância, período marcado por alta dependência do cuidador. A convivência em ambientes familiares violentos compromete práticas de cuidado, interfere na alimentação e amplia desigualdades em saúde. Os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas intersetoriais que articulem o enfrentamento da violência, a promoção da segurança alimentar e nutricional e o apoio ao desenvolvimento infantil saudável. O aprofundamento dessas investigações em diferentes contextos sociais pode contribuir para o aprimoramento de estratégias de prevenção e promoção da saúde desde os primeiros anos de vida
Abstract: This thesis aimed to investigate the relationship between exposure to intimate partner violence (IPV) and two outcomes in children aged six to thirty months: overweight and the consumption of healthy eating markers. Data were drawn from the project “Variation in Food and Nutritional Insecurity, dietary intake and anthropometric measures, from 2005 to 2009/2010,” conducted in Campos Elísios, the 2nd District of Duque de Caxias, in the state of Rio de Janeiro, Brazil. The study adopted a cross-sectional population-based design, with three-stage cluster sampling (census tracts, households, and individuals), including households with children aged six to thirty months and women who had been in a romantic relationship in the twelve months prior to the interview. IPV − both physical and psychological, perpetrated against women and between couples − was assessed using the Revised Conflict Tactics Scale (CTS2), validated for the Brazilian context. Statistical analyses were conducted using Stata 17.0 software, employing multivariate logistic regression with sampling weights. The first article examined the association between IPV and childhood overweight, assessed through body mass index for age (BMI/A). Results indicated that 69.3% of women reported psychological violence and 26.9% reported physical violence; among couples, these rates were 79.6% and 36.8%, respectively. Children exposed to physical violence against their mothers had a higher likelihood of being overweight (OR: 1.10; 95% CI: 1.01–1.20), with an even greater risk when both forms of IPV were present (OR: 2.60; 95% CI: 1.34–5.03). Violence between couples was also significantly associated with increased probability of childhood overweight (OR: 1.10; 95%CI: 1.01–1.20 for psychological violence, and OR: 1.37; 95%CI: 1.16–1.61 for physical violence). The second article analyzed the relationship between IPV and the consumption of fruits, vegetables, beans, and breastfeeding. Dietary intake was measured using a 24-hour recall applied to the child’s primary caregiver. Exposure to violence against the mother was associated with a lower likelihood of the child consuming fruits and vegetables (OR: 0.75; 95% CI: 0.58–0.97), while physical violence between couples was linked to a reduced likelihood of breastfeeding for six months or longer (OR: 0.86; 95% CI: 0.78–0.94). No significant associations were found between IPV and bean consumption, nor between couple violence and fruit and vegetable intake. The findings of this thesis highlight that IPV, even when not directly targeted at children, may negatively affect nutritional status and dietary habits during early childhood—a phase marked by high dependence on caregivers. Living in violent family environments compromises caregiving practices, affects food intake, and contributes to health inequalities. The results underscore the importance of intersectoral public policies that integrate violence prevention, food and nutrition security promotion, and support for healthy child development. Expanding research on IPV across diverse social contexts can help strengthen preventive strategies and health promotion efforts from the earliest years of life
Palavras-chave: Comportamento alimentar
Violência entre parceiros íntimos
Segurança alimentar
Nutrição do lactante
Nutrição da criança
Abuso emocional
Desenvolvimento infantil
Promoção da Saúde
Crianças
Estado nutricional
Consumo alimentar
Intimate partner violence
Children
Nutritional status
Food consumption
Área(s) do CNPq: CIENCIAS DA SAUDE::SAUDE COLETIVA
Idioma: por
País: Brasil
Instituição: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Sigla da instituição: UERJ
Departamento: Centro Biomédico::Instituto de Medicina Social Hesio Cordeiro
Programa: Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva
Citação: PIMENTA, Natália Gomes. O papel da violência entre parceiros íntimos no consumo alimentar e no estado nutricional de crianças entre seis e trinta meses. 2025. 114 f. Tese (Doutorado em Saúde Coletiva) - Instituto de Medicina Social Hesio Cordeiro, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2025.
Tipo de acesso: Acesso Aberto
URI: http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/24820
Data de defesa: 6-Ago-2025
Aparece nas coleções:Doutorado em Saúde Coletiva



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