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http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/24878| Tipo do documento: | Dissertação |
| Título: | Uma análise discursiva de dizeres públicos de mulheres sexualmente violadas: língua e testemunho |
| Título(s) alternativo(s): | A discursive analysis of public statements by sexually assaulted women: language and testimony |
| Autor: | Quintão, Beatriz de Almeida ![]() |
| Primeiro orientador: | Dias, Juciele Pereira |
| Primeiro membro da banca: | Vinhas, Luciana Iost |
| Segundo membro da banca: | Baalbaki, Angela Corrêa Ferreira |
| Terceiro membro da banca: | Rodrigues, Andrea |
| Resumo: | Esta pesquisa, filiada à Análise do Discurso materialista (Pêcheux, [1969] 1997; 1995; Orlandi, 1987; 2007; 2015), tem como objetivo compreender como mulheres que sofreram violência sexual (se) significam publicamente (n)a violência sofrida, especialmente no contexto brasileiro. O trabalho mobiliza conceitos fundamentais e essenciais da teoria, como discurso, ideologia, sujeito, condições de produção, formações ideológicas e discursivas, memória discursiva, interdiscurso etc. Partindo de uma perspectiva sócio-histórica, a pesquisa dialoga com estudos sobre violência simbólica e relações de dominação (Bourdieu, 2012; Foucault, 1996), além das discussões sobre gênero, patriarcado e a cultura do estupro (Saffioti, 2015; Gonzales, 1984). Problematizamos, também, a questão do testemunho, do indizível (Mariani, 2016; 2021; Vinhas, 2022), tomado como espaço de significação em que o real da língua e o real da história entram em conflito quando o sujeito se depara com a impossibilidade de dizer tudo de trauma violento. O corpus é constituído por cartas abertas, entrevistas e postagens públicas de mulheres amplamente conhecidas na mídia brasileira — Klara Castanho, Joanna Maranhão, Xuxa e, internacionalmente, Simone Biles. Esses enunciados foram tomados como materialidades discursivas que permitem observar os processos de produção de sentido sobre a violência sexual no espaço público e midiático-digital. Do ponto de vista metodológico, adotamos o gesto de análise proposto por Orlandi (2015), considerando as condições de produção desses discursos e seus atravessamentos histórico-ideológicos. A análise busca compreender como os discursos dessas mulheres entram em conflito com os efeitos de sentido historicamente produzidos pelo patriarcado, especialmente no que tange à construção social da culpa, frequentemente deslocada do agressor para a vítima. Os resultados indicam que, ao se posicionarem discursivamente no espaço público, essas mulheres produzem deslocamentos em sentidos historicamente cristalizados sobre a violência sexual. Nosso gesto de análise nos permitiu entender que a materialização discursiva da violência rompe, em parte, com os efeitos de silenciamento, mobilizando sentidos de resistência e denúncia, ressignificando-os. A análise coloca em evidência que a produção de discursos sobre violência sexual, quando tornados públicos, configuram atos que vão além da denúncia, são também atos políticos de resistência, confrontando as relações de força que estruturam a sociedade. Assim, a pesquisa contribui tanto para o campo dos estudos discursivos quanto para a compreensão dos modos como as ideologias dominantes produzem e fazem a manutenção dos sentidos sobre a violência sexual contra o sexo feminino. Este trabalho reafirma que a linguagem é um campo de disputa simbólica em que o silenciamento e o dizer se colocam como forças opostas, mas historicamente determinadas. |
| Abstract: | This research, aligned with materialist Discourse Analysis (Pêcheux, [1969] 1997; 1995; Orlandi, 1987; 2007; 2015), aims to understand how women who have suffered sexual violence publicly signify the violence they have suffered, especially in the Brazilian context. The study mobilizes essential theoretical concepts such as discourse, ideology, subject, conditions of production, ideological and discursive formations, discursive memory, and interdiscourse. From a socio-historical perspective, the research dialogues with studies on symbolic violence and power relations (Bourdieu, 2012; Foucault, 1996), as well as discussions on gender, patriarchy and rape culture (Saffioti, 2015; Gonzales, 1984). The study also problematizes the notion of testimony, the unspeakable (Mariani, 2016; 2021; Vinhas, 2022), understood as a space of meaning in which the real of language and the real of history come into conflict when the subject faces the impossibility of saying everything about violent trauma. The corpus consists of open letters, interviews, and public posts by women widely known in Brazilian media, such as Klara Castanho, Joanna Maranhão and Xuxa, and international media, like Simone Biles. These statements were taken as discursive materialities that allow us to observe the processes of production of meaning about sexual violence in the public and digital media space. Methodologically speaking, this study adopted the analytical gesture proposed by Orlandi (2015), considering the conditions of production of these discourses and their historical-ideological intersections. The analysis seeks to understand how the discourses produced by these women get into conflict with the effects of meaning historically produced by the patriarchy, particularly regarding the social construction of guilt, which is often displaced from the aggressor to the victim. The results indicate that, by positioning themselves discursively in the public sphere, these women produce displacements in historically crystallized meanings about sexual violence. The analytical gesture allowed us to understand that the discursive materialization of violence partially breaks the effects of silencing, mobilizing meanings of resistance, denunciation, resignifying them. The analysis highlights that the production of discourses about sexual violence, when made public, constitutes acts that go beyond denunciation; they are also political acts of resistance, confronting the power relations that structure society. Thus, the research contributes both to the field of discursive studies and to the understanding of the ways in which dominant ideologies produce and maintain meanings about sexual violence against women. This work reaffirms that language is a field of symbolic dispute in which silencing and speaking are placed as opposing but historically determined forces. |
| Palavras-chave: | Discurso Violência sexual contra a mulher Culpa Testemunho Discourse Sexual violence against women Guilt Testimony |
| Área(s) do CNPq: | LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LETRAS |
| Idioma: | por |
| País: | Brasil |
| Instituição: | Universidade do Estado do Rio de Janeiro |
| Sigla da instituição: | UERJ |
| Departamento: | Centro de Educação e Humanidades::Faculdade de Formação de Professores |
| Programa: | Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística |
| Citação: | QUINTÃO, Beatriz de Almeida. Uma análise discursiva de dizeres públicos de mulheres sexualmente violadas: língua e testemunho. 2025. 128 f. Dissertação (Mestrado em Letras e Linguística) – Faculdade de Formação de Professores, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, São Gonçalo, 2025. |
| Tipo de acesso: | Acesso Aberto |
| URI: | http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/24878 |
| Data de defesa: | 25-Jul-2025 |
| Aparece nas coleções: | Mestrado em Letras e Linguística |
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