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Tipo do documento: Tese
Título: Águas passadas: uma etnografia entre desastres e zonas assombradas na cidade imperial
Título(s) alternativo(s): Water under the bridge: an ethnography within disasters and haunted zones in a Brazilian imperial city
Autor: Miasato, Felipe Akira 
Primeiro orientador: Silva, Martinho Braga Batista e
Primeiro membro da banca: Zorzanelli, Rafaela Teixeira
Segundo membro da banca: Azize, Rogério Lopes
Terceiro membro da banca: Moreira, Martha Cristina Nunes
Quarto membro da banca: Silva, Vera Lucia Marques da
Resumo: Existe um curioso e frequente fenômeno, observado, relatado e pesquisado internacionalmente após situações de desastres: a proliferação de narrativas e histórias envolvendo fantasmas e assombrações nas regiões afetadas e devastadas. Não se trata de metáforas: pessoas relatam aparições naquelas áreas e evitam frequentá-las, conforme observado na Tailândia, no Japão, nos Estados Unidos da América, no Vietnã, na China, na Argentina e em diversos países. Apesar de frequente também no Brasil, nenhum estudo procurou abordá-lo, até então. Esta etnografia tem por objetivo analisar e compreender essas experiências e narrativas específicas, no contexto petropolitano, que há séculos convive com os desastres. Intitulada como cidade imperial, trata-se de um município localizado na região serrana do Rio de Janeiro historicamente atravessado por desastres. Enquanto esta pesquisa era elaborada, a cidade enfrentou, em 2022, seu maior desastre já registrado, que, junto àquele acontecido em 2011, tornou-se parte do campo investigado. Em ambos, as narrativas vieram à tona, e foi possível escutá-las e experienciá-las desde minha localização como petropolitano, ao mesmo tempo em que me implicava ativamente em revisitar minhas próprias histórias de fantasmas. Apoiado em perspectivas socioantropológicas e decoloniais, em diálogo com teorias psicanalíticas, que nortearam e desnortearam o trabalho de campo, esta etnografia foi construída como um convite à hospitalidade aos fantasmas, por uma preocupação por justiça, como defendeu Jacques Derrida. Compreendo a assombração e o fantasma como conceitos operativos, sustentados pela socióloga Avery Gordon, que constituem, respectivamente, tanto uma experiência social, quanto uma figura social dotada de agência. Ao distanciar-me, criticamente, de abordagens teóricas que tendem à medicalização desses fenômenos sociais, defendo a tese de “zonas assombradas” como um limítrofe não-lugar feito de transições, passagens e mortes, onde os vínculos sociais se estendem para além dos vivos, atravessado por medos, interseccionalidades, desenraizamentos e disputas de pertencimento. Nessas zonas, essas narrativas configuram-se como um trabalho coletivo de memória e um recurso estratégico contra o esquecimento, tendo nas mulheres suas principais articuladoras. Essa defesa demandará um exame crítico sobre o lugar ocupado por nós enquanto pessoas pesquisadoras e enquanto agentes potencialmente nocivos e traumatizantes às populações afetadas por desastres.
Abstract: There is a curious and recurrent phenomenon, observed, reported, and researched internationally in the aftermath of disasters: the proliferation of narratives and stories involving ghosts and hauntings in the affected and devastated regions. These are not metaphors: people recount apparitions in those areas and avoid frequenting them, as has been observed in Thailand, Japan, the United States of America, Vietnam, China, Argentina, and many other countries. Although also frequent in Brazil, no study had sought to address it until now. This ethnographic work aims to analyze and understand these specific experiences and narratives within the context of Petrópolis, a city that has lived with disasters for centuries. Known as the “imperial city,” Petrópolis is a municipality in the mountainous region of Rio de Janeiro, historically shaped and scarred by disasters. While this research was being carried out, the largest disaster ever recorded in the city occurred in 2022, which then also became a field site, alongside the earlier one of 2011. In both cases, narratives emerged, and I was able to listen to and experience them from my situated perspective as someone from Petrópolis, as well as through my active implication in revisiting my own ghost stories. Grounded in socio-anthropological and decolonial perspectives, in dialogue with psychoanalytic theories that guided – and at times disrupted – the fieldwork, this ethnography has been constructed as an invitation to hospitality toward ghosts, out of a concern for justice, as Jacques Derrida once argued. I understand haunting and the ghost as operative concepts, sustained by sociologist Avery Gordon, which constitute, respectively, both a social experience and a social figure endowed with agency. By critically distancing myself from theoretical approaches that tend to medicalize these social phenomena, I advance the thesis of “haunted zones” as a liminal non-place of transitions, passages, and deaths, where social bonds extend beyond the living, traversed by fears, intersectionalities, uprootedness, and disputes over belonging. Within these zones, such narratives configure themselves as collective memory-work and as a strategic resource against forgetting, with women as their main articulators. This thesis also requires a critical examination of the place we occupy as researchers, as well as of our potential role as harmful and even traumatizing agents for populations affected by disasters.
Palavras-chave: Saúde Mental
Desastres Naturais
Memória
Imaginação
Psiquiatria
Psicologia
Desastres
Petrópolis
Fantasmas
Assombração
Disasters
Ghosts
Haunting
Memory
Área(s) do CNPq: CIENCIAS DA SAUDE::SAUDE COLETIVA
Idioma: por
País: Brasil
Instituição: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Sigla da instituição: UERJ
Departamento: Centro Biomédico::Instituto de Medicina Social Hesio Cordeiro
Programa: Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva
Citação: MIASATO, Felipe Akira. Águas passadas: uma etnografia entre desastres e zonas assombradas na cidade imperial. 2025. 313 f. Tese (Doutorado em Saúde Coletiva) - Instituto de Medicina Social Hesio Cordeiro, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2025.
Tipo de acesso: Acesso Embargado
URI: http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/25058
Data de defesa: 30-Out-2025
Aparece nas coleções:Doutorado em Saúde Coletiva



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