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http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/25077| Tipo do documento: | Tese |
| Título: | “Eu tenho o direito de querer viver”: narrativas sobre a experiência de viver com e além do diagnóstico de câncer de mama metastático |
| Título(s) alternativo(s): | “I have the right to want to live”: narratives about the experience of living with and beyond the diagnosis of metastatic breast cancer |
| Autor: | Ponte, Luciana Dantas Müller da ![]() |
| Primeiro orientador: | Zorzanelli, Rafaela Teixeira |
| Primeiro membro da banca: | Cárdenas, Claudia Mercedes Mora |
| Segundo membro da banca: | Aureliano, Waleska de Araújo |
| Terceiro membro da banca: | Menezes, Rachel Aisengart |
| Quarto membro da banca: | Moreira, Martha Cristina Nunes |
| Resumo: | O câncer de mama metastático (CMM) é uma condição de adoecimento incurável, ainda marcada pela invisibilidade no contexto de saúde pública brasileiro. Enquanto os avanços da medicina de precisão têm permitido o desenvolvimento de medicamentos cada vez mais direcionados para os perfis moleculares dos tumores e o prolongamento do tempo de vida em alguns casos, no Brasil, a ausência de dados epidemiológicos e as iniquidades no acesso a informações e terapias inovadoras caracterizam uma realidade ainda bastante desafiadora. A partir da perspectiva da sociologia do diagnóstico e do conceito de "viver com e além da doença”, o presente estudo busca analisar como o diagnóstico de CMM é acionado em narrativas de pacientes brasileiras, com foco sobre suas trajetórias de acesso e tratamento oncológico, bem como sobre suas estratégias individuais e coletivas diante do diagnóstico. Foi realizada uma pesquisa qualitativa exploratória, baseada em observação participante e análise de 16 entrevistas de profundidade com questões semiestruturadas. Os resultados foram debatidos em interlocução com uma paciente expert. Os relatos revelam um trabalho subjetivo de reconfiguração do "eu", após o efeito disruptivo de um diagnóstico associado à iminência da morte. Observamos o deslocamento da expectativa de “cura” para “qualidade de vida”, sendo esse um constructo impreciso e suscetível a diferentes interpretações para a tomada de decisão clínica. Diante das dificuldades encontradas na comunicação com a equipe de saúde, a busca por informação em redes de sociabilidade (grupos de apoio, ambientes digitais ou grupos fechados de WhatsApp/Facebook) foi um recurso adotado. São valorizadas como “exemplares” experiências que alcançam prolongamento do tempo de vida através do acesso a medicamentos inovadores, forjando narrativas épicas e de cronicidade. Nesse sentido, os medicamentos ocupam lugar central para a reestruturação da esperança na manutenção da vida, ainda que esse seja um processo marcado por tensões e incertezas, acirradas com a dicotomia entre a abordagem da Oncologia e dos Cuidados Paliativos. Constituem estratégias para o acesso a novos medicamentos: as negociações ativas, a judicialização e a “customização” do cuidado. Embora a sociabilidade em torno do diagnóstico de CMM no Brasil seja incipiente e informal quando comparada a contextos de capitalismo avançado, o prolongamento do tempo de vida de pacientes e o trabalho de grupos de ativistas vem promovendo a transição da experiência da narrativa individual de ser uma "exceção" para a emergência de uma perspectiva coletiva. É fundamental que o diagnóstico de CMM seja reconhecido como uma questão de saúde pública, com políticas não apenas voltadas para a incorporação e oferta de novas tecnologias em saúde, mas incluam o planejamento de serviços preparados para informar as pacientes sobre a especificidade de seus diagnósticos e terapêuticas possíveis, visando acolher a complexidade das trajetórias e demandas da população que está (ou deveria estar) sobrevivendo além do diagnóstico metastático. |
| Abstract: | Metastatic breast cancer (MBC) is an incurable condition which remains under-recognized in the context of Brazilian public health. While advances in precision medicine have led to the development of increasingly targeted drugs for the molecular profiles of tumors and have extended survival in some cases, in Brazil the lack of epidemiological data and inequities in access to information and innovative therapies continue to define a highly challenging reality. Drawing on the sociology of diagnosis and the concept of “living with and beyond disease,” this study analyses how the diagnosis of MBC is mobilized in the narratives of Brazilian patients, with a focus on their trajectories of access and oncological treatment, as well as on their individual and collective strategies for coping with the diagnosis. This exploratory qualitative study was based on participant observation and the analysis of 16 in-depth interviews using semi-structured questions. The findings were discussed in collaboration with an “expert patient.” The narratives reveal a subjective process of reconfiguring the “self” after the disruptive impact of a diagnosis associated with the imminence of death. We observed a shift in expectations from “cure” to “quality of life,” the latter being an imprecise construct, open to multiple interpretations in clinical decision-making. Faced with communication barriers with healthcare professionals, patients turn to social networks—support groups, digital environments, or closed WhatsApp/Facebook groups—for information. Experiences of extended survival through access to innovative drugs are valued as “exemplary,” giving rise to epic and chronicity narratives. In this sense, medications play a significant role in restructuring hope for the continuation of life, even though this process is marked by tensions and uncertainties, intensified by the dichotomy between oncological and palliative care approaches. Strategies to access new drugs include active negotiation, litigation, and the “customization” of care. Although sociability around the diagnosis of MBC in Brazil is still incipient and informal compared with contexts of advanced capitalism, the extension of survival and the work of activist groups have fostered a transition from the individual narrative of being an “exception” to the emergence of a collective perspective. It is essential that the diagnosis of MBC be recognized as a public health priority, with policies not only aimed at the incorporation and provision of new health technologies, but also at the planning of services prepared to inform patients about the specificities of their diagnoses and possible therapies, in order to address the complexity of the trajectories and demands of the population that is, or should be, surviving beyond the metastatic diagnosis. |
| Palavras-chave: | Neoplasias da Mama - Diagnóstico Metástase Neoplásica Acesso a Medicamentos Essenciais e Tecnologias em Saúde Qualidade de Vida Oncologia/ mulheres Processo Saúde- Doença - Narrativas Câncer de mama metastático Narrativas pessoais Medicina de precisão Inequidades em saúde Ativismo Metastatic breast câncer Personal narratives Precision medicine Health inequities Activism |
| Área(s) do CNPq: | CIENCIAS DA SAUDE::SAUDE COLETIVA |
| Idioma: | por |
| País: | Brasil |
| Instituição: | Universidade do Estado do Rio de Janeiro |
| Sigla da instituição: | UERJ |
| Departamento: | Centro Biomédico::Instituto de Medicina Social Hesio Cordeiro |
| Programa: | Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva |
| Citação: | PONTE, Luciana Dantas Müller da. “Eu tenho o direito de querer viver”: narrativas sobre a experiência de viver com e além do diagnóstico de câncer de mama metastático. 2025. 246 f. Tese (Doutorado em Saúde Coletiva) - Instituto de Medicina Social Hesio Cordeiro, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2025. |
| Tipo de acesso: | Acesso Aberto |
| URI: | http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/25077 |
| Data de defesa: | 29-Set-2025 |
| Aparece nas coleções: | Doutorado em Saúde Coletiva |
Arquivos associados a este item:
| Arquivo | Descrição | Tamanho | Formato | |
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| Tese - Luciana Dantas Müller da Ponte - 2025 - Completa.pdf | 4,96 MB | Adobe PDF | Baixar/Abrir Pré-Visualizar | |
| Termo - Luciana Dantas Muller da Ponte - 2025.pdf | 261,54 kB | Adobe PDF | Baixar/Abrir Pré-Visualizar Solictar uma cópia | |
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