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Tipo do documento: Dissertação
Título: Culpados pela sociedade e vítimas pela instituição: a prática da autolesão no contexto de vulnerabilidades vivenciadas por adolescentes privados de liberdade
Título(s) alternativo(s): The practice of self-harm in the context of vulnerabilities experienced by adolescents deprived of liberty
Autor: Carvalho, Aline da Costa Silva de 
Primeiro orientador: Esteves, Pâmela Suélli da Motta
Primeiro membro da banca: Coelho, Gustavo
Segundo membro da banca: Martin, Clarice Arantes
Resumo: Esta pesquisa tem como objetivo investigar a prática da autolesão entre adolescentes em conflito com a lei que estão em instituições de privação de liberdade, destacando as vulnerabilidades que esses jovens enfrentam e estabelecendo uma intersecção entre psicologia e pedagogia. Parte-se do pressuposto de que a autolesão não deve ser compreendida exclusivamente como um fenômeno clínico individual ou patologia isolada, mas como expressão subjetiva de sofrimentos psíquicos produzidos por experiências de exclusão social, institucionalização e fragilidade dos vínculos afetivos e comunitários. Nessas condições, a autolesão aparece como uma forma de linguagem do corpo, que denuncia o indizível e tenta reinscrever o sujeito diante de um cenário de apagamento simbólico e afetivo. O objetivo principal é compreender os sofrimentos psíquicos que envolvem o processo de adolescer sob privação de liberdade, analisando a relação entre a exclusão social, a privação de liberdade e a autolesão, por meio da metodologia de observação participante em uma unidade do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase). Através de uma revisão da literatura, a pesquisa explora as causas subjacentes da autolesão, como traumas, exclusão social, problemas de saúde mental e falta de suporte emocional, sendo as rodas de escuta realizadas na instituição, o principal dispositivo metodológico. Esses encontros se constituíram como espaços coletivos de acolhimento, partilha e elaboração simbólica, onde os adolescentes puderam narrar suas experiências e afetos, tornando possível a escuta ética e o reconhecimento da singularidade de suas trajetórias. As rodas de escuta funcionaram, assim, como estratégia clínico-pedagógica para o fortalecimento do laço social, permitindo a emergência de sentidos sobre a autolesão e a vivência do adolescer sob privação de liberdade. A fundamentação teórica apoia-se em autores da psicanálise clássica e contemporânea, como Freud, Winnicott, Dolto, Fédida e Birman, para refletir sobre os processos psíquicos que marcam a adolescência – como a construção da identidade, os lutos, as separações e os desafios narcísicos. Dialoga também com contribuições de Aberastury, Cardoso, Kaës e Lacan, no que diz respeito aos estados-limite, à dor psíquica e à constituição subjetiva em contextos de risco. Le Breton, Bauman e Mbembe são acionados na análise do corpo como território simbólico de expressão da dor e resistência frente às formas contemporâneas de exclusão. Por fim, a pesquisa considera ainda os aportes da psicologia social crítica (Sawaya, Minerbo, Kemper), abordando os efeitos psíquicos da desigualdade, da invisibilidade institucional e da necropolítica direcionada à juventude periférica. A análise revela que a autolesão, nesse contexto, pode ser entendida como uma estratégia de regulação emocional, reinvestimento pulsional, protesto silencioso ou linguagem extrema diante do silenciamento social. Traumas acumulados, abandono afetivo, patologização da dor, medicalização excessiva e ausência de suporte institucional emergem como fatores centrais para a compreensão do fenômeno. Ao refletir sobre os efeitos subjetivos da privação de liberdade e do abandono institucional, esta pesquisa busca contribuir para a construção de práticas socioeducativas que rompam com a lógica punitiva e promovam cuidado, escuta e reconhecimento da complexidade que atravessa a adolescência em situação de vulnerabilidade extrema.
Abstract: This research aims to investigate the practice of self-harm among adolescents in conflict with the law who are in institutions of deprivation of liberty, highlighting the vulnerabilities that these young people face and establishing an intersection between psychology and pedagogy. It is assumed that self-harm should not be understood exclusively as an individual clinical phenomenon or isolated pathology, but as a subjective expression of psychological suffering produced by experiences of social exclusion, institutionalization and fragility of affective and community bonds. Under these conditions, self-harm appears as a form of body language, which denounces the unspeakable and attempts to reinscribe the subject in a scenario of symbolic and affective erasure. The main objective is to understand the psychological suffering involved in the process of becoming an adolescent under deprivation of liberty, analyzing the relationship between social exclusion, deprivation of liberty and self-harm, through the methodology of participant observation in a unit of the General Department of Socio-Educational Actions (Degase). Through a literature review, the research explores the underlying causes of self-harm, such as trauma, social exclusion, mental health problems and lack of emotional support, with listening circles held at the institution being the main methodological device. These meetings were constituted as collective spaces for welcoming, sharing and symbolic elaboration, where adolescents could narrate their experiences and feelings, making ethical listening and recognition of the uniqueness of their trajectories possible. The listening circles thus functioned as a clinical-pedagogical strategy for strengthening social bonds, allowing the emergence of meanings about self-harm and the experience of adolescence under deprivation of liberty. The theoretical framework is based on authors from classical and contemporary psychoanalysis, such as Freud, Winnicott, Dolto, Fédida and Birman, to reflect on the psychic processes that mark adolescence – such as the construction of identity, mourning, separations and narcissistic challenges. It also engages with contributions from Aberastury, Cardoso, Kaës and Lacan, regarding borderline states, psychic pain and subjective constitution in contexts of risk. Le Breton, Bauman and Mbembe are used in the analysis of the body as symbolic territory for the expression of pain and resistance in the face of contemporary forms of exclusion. Finally, the research also considers the contributions of critical social psychology (Sawaya, Minerbo, Kemper), addressing the psychological effects of inequality, institutional invisibility, and necropolitics directed at peripheral youth. The analysis reveals that self-harm, in this context, can be understood as a strategy of emotional regulation, drive reinvestment, silent protest, or extreme language in the face of social silencing. Accumulated trauma, emotional abandonment, pathologization of pain, excessive medicalization, and lack of institutional support emerge as central factors in understanding the phenomenon. By reflecting on the subjective effects of deprivation of liberty and institutional abandonment, this research seeks to contribute to the construction of socio-educational practices that break with the punitive logic and promote care, listening, and recognition of the complexity that adolescence in situations of extreme vulnerability goes through.
Palavras-chave: Self-harm
Adolescence
Exclusion
Invisibility
Socio-education
Autolesão
Adolescência
Exclusão
Invisibilidade
Socioeducação
Área(s) do CNPq: CIENCIAS HUMANAS::EDUCACAO::TOPICOS ESPECIFICOS DE EDUCACAO
Idioma: por
País: Brasil
Instituição: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Sigla da instituição: UERJ
Departamento: Centro de Educação e Humanidades::Faculdade de Educação da Baixada Fluminense
Programa: Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Comunicação
Citação: CARVALHO, Aline da Costa Silva. Culpados pela sociedade e vítimas pela instituição: a prática da autolesão no contexto de vulnerabilidades vivenciadas por adolescentes privados de liberdade. 2025. 113 f. Dissertação (Mestrado em Educação, Cultura e Comunicação) - Faculdade de Educação da Baixada Fluminense, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Duque de Caxias, 2025.
Tipo de acesso: Acesso Aberto
URI: http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/25158
Data de defesa: 25-Ago-2025
Aparece nas coleções:Mestrado em Educação, Cultura e Comunicação



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