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Tipo do documento: Tese
Título: Trabalho de reprodução social comunitário em tempos de pandemia da Covid-19: uma mirada para o trabalho e a (re)produção social no capitalismo brasileiro
Título(s) alternativo(s): Community social reproduction work in times of the Covid-19 pandemic: a look at work and social (re)production in Brazilian capitalism
Autor: Brito, Carolina Gonçalves Santos de 
Primeiro orientador: Almeida, Carla Cristina Lima de
Primeiro membro da banca: Almeida, Guilherme Silva de
Segundo membro da banca: Santos, Marcia Cristina Brasil
Terceiro membro da banca: Almeida, Ney Luiz Teixeira de
Quarto membro da banca: Pereira, Tatiana Dahmer
Resumo: A pesquisa buscou refletir acerca do trabalho de reprodução social comunitário no contexto da pandemia da Covid-19, a fim de compreender em que medida iniciativas coletivizadas auto-organizadas pela classe trabalhadora para enfrentar os impactos desiguais da crise sanitária e para atender às necessidades de reprodução social dessa mesma classe expressaram termos indicativos de um trabalho de reprodução social comunitário. O estudo, de caráter qualitativo, fundamentou-se no método crítico-dialético e na epistemologia feminista-interseccional (Lole, Almeida, Freitas, 2024), utilizando fontes documentais inscritas na comunicação comunitária-popular (Peruzzo, 2022), com o recorte espacial do município do Rio de Janeiro. A coleta de dados integrou o jornal comunitário Voz das Comunidades; publicações em redes sociais oficiais de coletivos, frentes e/ou organizações comunitárias que desenvolveram as iniciativas; assim como lives gravadas, artigos, matérias jornalísticas e/ou relatórios de pesquisa de autoria de integrantes e/ou que contaram com a sua participação. Nosso referencial teórico-analítico acerca do trabalho de reprodução social comunitário distancia-se radicalmente de qualquer defesa da destituição da responsabilidade do Estado no atendimento às necessidades sociais da classe trabalhadora e de qualquer perspectiva de romantização do trabalho de reprodução social comunitário. As desigualdades e contradições em torno do trabalho e da reprodução social da força de trabalho são constitutivas da ordem social capitalista (Marx, 2013), que decolou e se sustenta indissociável do racismo, do sexismo (Moura, 1983; Gonzalez, 1984, 2020; Davis, 2016), do cisheteropatriarcado (Federici, 2017; Lugones, 2008; Segato, 2021) e da dialética da dependência (Moura, 1983; Fernandes, 1975; Marini, 2017; Oliveira, 2003; Gonzalez, 2020). Refletimos que o trabalho de reprodução social comunitário não se organiza prioritária e/ou imediatamente no âmbito doméstico, do Estado ou do mercado, o que não indicou a inexistência de diferentes graus de apoio e articulações com instâncias privadas-empresarias ou público-estatais, por exemplo. Esse trabalho pode ser desenvolvido em um dado recorte do espaço geográfico ou não, sendo compreendido nesta pesquisa especialmente pelos termos de sua organização, condução e finalidade. Iniciativas de trabalho de reprodução social comunitário no enfrentamento à crise sanitária da Covid-19 envolveram e anunciaram uma coletivização auto-organizada desde a classe trabalhadora para a classe trabalhadora, priorizando as necessidades e demandas de reprodução social dessa classe. Forjaram-se em e apontaram sentidos sociopolíticos de resistências e de solidariedade de classe em sua determinação de raça e gênero imbricada aos territórios negros (Rolnik, 2007). Trabalhos de reprodução social comunitário, (re)ativados agilmente com a eclosão da crise pandêmica, em muitos casos desenvolvidos desde condições expressivamente precárias, abrangeram os campos de atuação: i) segurança alimentar, ii) prevenção em saúde, iii) comunicação comunitária, iv) transferência e geração de renda. Ao mesmo tempo, atuaram na provisão de bens e serviços para o próprio Estado, particularmente a rede do Sistema Único de Saúde. Desde desigualdades e contradições, o trabalho de reprodução social comunitário – invisibilizado como trabalho – se constituiu, nos limites de suas possibilidades, indispensável para pautar e atender necessidades e urgências sociais de reprodução social da classe trabalhadora em tempos de pandemia da Covid-19.
Abstract: This research aimed to reflect on community social reproduction work in the context of the Covid-19 pandemic, in order to understand to what extent self-organized, collectivized initiatives by the working class to address the unequal impacts of the health crisis and to meet the social reproduction needs of that same class expressed terms indicative of community social reproduction work. The qualitative study was based on the critical-dialectical method and feminist-intersectional epistemology (Lole, Almeida, Freitas, 2024), using documentary sources inscribed in community-popular communication (Peruzzo, 2022), with the spatial focus of the municipality of Rio de Janeiro. Data collection included the community newspaper Voz das Comunidades; publications on official social networks of collectives, fronts and/or community organizations that developed the initiatives; as well as recorded live streams, articles, journalistic pieces and/or research reports authored by members and/or in which they participated. Our theoretical and analytical framework regarding community social reproduction work radically distances itself from any defense of abdicating the State's responsibility in meeting the social needs of the working class and from any perspective of romanticizing community social reproduction work. The inequalities and contradictions surrounding work and the social reproduction of labor power are constitutive of the capitalist social order (Marx, 2013), which took off and is sustained inseparably from racism, sexism (Moura, 1983; Gonzalez, 1984, 2020; Davis, 2016), cisheteropatriarchy (Federici, 2017; Lugones, 2008; Segato, 2021), and the dialectic of dependency (Moura, 1983; Fernandes, 1975; Marini, 2017; Oliveira, 2003; Gonzalez, 2020). We reflect that Community social reproduction work is not primarily and/or immediately organized within the domestic sphere, the State, or the market, which does not indicate the absence of different degrees of support and articulation with private-business or public-state entities, for example. This work may be developed in a given geographical area or not, and in this research it is understood especially in terms of its organization, conduct, and purpose. Community social reproduction work initiatives in response to the Covid-19 health crisis involved and announced a self-organized collectivization from the working class for the working class, prioritizing the needs and demands of social reproduction for this class. They were forged in and pointed to sociopolitical meanings of resistance and class solidarity in their determination of race and gender intertwined with black territories (Rolnik, 2007). Community social reproduction work, (re)activated swiftly with the outbreak of the pandemic crisis, in many cases developed from expressively precarious conditions, encompassed the fields of action: i) food security, ii) health prevention, iii) community communication, iv) income transfer and generation. At the same time, they acted in the provision of goods and services for the State itself, particularly the Unified Health System network. From inequalities and contradictions, Community social reproduction work – made invisible as work – became, within the limits of its possibilities, indispensable for guiding and meeting the social needs and urgencies of the social reproduction of the working class in times of the Covid-19 pandemic.
Palavras-chave: Trabalho
Reprodução social
Trabalho de reprodução social comunitário
Divisão social cissexual racial do trabalho capitalista
Pandemia Covid-19
Work
Social reproduction
Community Social reproduction work
Racial cissexual social division of capitalist labor
Covid-19 pandemic
Área(s) do CNPq: CIENCIAS SOCIAIS APLICADAS::SERVICO SOCIAL
Idioma: por
País: Brasil
Instituição: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Sigla da instituição: UERJ
Departamento: Centro de Ciências Sociais::Faculdade de Serviço Social
Programa: Programa de Pós-Graduação em Serviço Social
Citação: BRITO, Carolina Gonçalves Santos de. Trabalho de reprodução social comunitário em tempos de pandemia da Covid-19: uma mirada para o trabalho e a (re)produção social no capitalismo brasileiro. 2025. 313 f. Tese (Doutorado em Serviço Social) – Faculdade de Serviço Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2025.
Tipo de acesso: Acesso Aberto
URI: http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/25257
Data de defesa: 18-Jul-2025
Aparece nas coleções:Doutorado em Serviço Social

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