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Tipo do documento: Tese
Título: Influência da suplementação de ômega 3 durante a gestação e seu impacto na placenta: revisão integrativa experimental e clínica
Título(s) alternativo(s): Influence of omega 3 supplementation during pregnancy and its impact on the placenta: integrative experimental and clinical review
Autor: Vieira, Cristiane Bastos Leta 
Primeiro orientador: Thole, Alessandra Alves
Primeiro coorientador: Cortez, Érika Afonso Costa
Primeiro membro da banca: Carvalho, Simone Nunes de
Segundo membro da banca: Oliveira, Elaine de
Terceiro membro da banca: Teixeira, Michelle Teixeira
Quarto membro da banca: Frantz, Eliete Dalla Corte
Resumo: A placenta é um órgão temporário e multifuncional, essencial para o desenvolvimento fetal saudável, servindo como a interface metabólica, endócrina e imunológica vital para a troca de nutrientes, gases e hormônios entre a mãe e o concepto. Reconhecendo sua vulnerabilidade a estressores, a suplementação com ácidos graxos poli-insaturados ômega 3 (AGPIs) emerge como uma estratégia nutricional para otimizar a saúde materno-fetal e, sobretudo, a homeostase placentária. Esta tese investiga a influência da suplementação de ácidos graxos ômega 3 durante a gestação e seu impacto na fisiopatologia placentária, integrando achados de estudos experimentais com roedores e ensaios clínicos em humanos. A metodologia consiste em uma revisão integrativa da literatura, fundamentada no referencial de Whittemore; Knafl e Kutcher; LeBaron utilizando as bases de dados PubMed, LILACS e Cochrane Library. A busca foi norteada pela pergunta PICO: A suplementação com ômega 3 em comparação com a ausência de suplementação, promove melhorias estruturais e funcionais da placenta? Foram incluídos 24 estudos, dos quais 16 utilizaram modelos animais e 8 foram ECRs. Em estudos com modelos animais, o ômega 3 demonstrou consistentemente ser altamente eficaz, estando associado à ativação do receptor ativado por proliferador de peroxissomos gama (PPARG), um mecanismo central que regula o transporte lipídico (via FATP4 e CD36) e a bioenergia placentária. Adicionalmente, o ômega 3 foi descrito como um poderoso eixo anti-inflamatório e antioxidante, gerando mediadores pró-resolução (como resolvinas e protectinas) e elevando a atividade de enzimas como SOD, GPx e catalase, essenciais para manter a integridade tecidual e a perfusão. Em nítido contraste, os ensaios clínicos randomizados em humanos apresentaram evidência de baixa confiabilidade clínica, marcada por alto risco de viés (RoB2), desfechos heterogêneos e, criticamente, falha em confirmar que os alvos moleculares essenciais foram atingidos nas gestantes, o que explica a fragilidade da evidência clínica. O estudo conclui que a suplementação com ômega 3 possui potencial mecanismo para modular positivamente a biologia placentária, conforme evidenciado de forma consistente em modelos experimentais através da otimização do transporte lipídico e da resolução da inflamação. No entanto, em ensaios clínicos randomizados, a evidência atual permanece inconclusiva e não permite afirmar de forma universal que a suplementação melhora a composição e a saúde placentária. Essa tese aponta lacunas importantes que precisam ser investigadas para que o ômega 3 possa ser empregado para a saúde placentária. A divergência translacional revela que a eficácia clínica do ômega 3 depende da superação de falhas metodológicas e da transição para um paradigma de nutrição de precisão, pautado na estratificação genética e metabólica das gestantes.
Abstract: The placenta is a temporary and multifunctional organ, essential for healthy fetal development, acting as a vital metabolic, endocrine, and immunological interface for the exchange of nutrients, gases, and hormones between the mother and the conceptus. Recognizing its vulnerability to stressors, supplementation with omega 3 polyunsaturated fatty acids (PUFAs) emerges as a nutritional strategy to improve maternal-fetal health and, primarily, placental homeostasis. This thesis investigates the influence of omega 3 fatty acid supplementation during pregnancy and its impact on placental pathophysiology, integrating findings from experimental studies with rodents and clinical trials in humans. The methodology consists of an integrative literature review, based on the framework of Whittemore; Knafl and Kutcher; LeBaron using the PubMed, LILACS, and Cochrane Library databases. The search was guided by the PICO question: Does omega 3 supplementation, compared to the absence of supplementation, promote structural and functional improvements in the placenta? Twenty-four studies were included, of which 16 used animal models and 8 were RCTs. In studies with animal models, omega 3 has consistently demonstrated high efficacy, being associated with the activation of peroxisome proliferator-activated receptor gamma (PPARG), a central mechanism that regulates lipid transport (via FATP4 and CD36) and placental bioenergy. Furthermore, omega 3 has been described as a powerful anti-inflammatory and antioxidant axis, providing pro-resolution mediators (such as resolvins and protectins) and increasing the activity of enzymes such as SOD, GPx, and catalase, essential for maintaining technical integrity and perfusion. In stark contrast, scientific clinical trials in humans have demonstrated evidence of low clinical reliability, marked by high risk of death (RoB2), heterogeneous results, and, critically, failure to confirm that essential molecular targets were achieved in pregnant women, which explains the weakness of the clinical evidence. The study concludes that omega 3 supplementation has the potential to specifically modulate placental biology, as consistently evidenced in experimental models through the optimization of lipid transport and the resolution of inflammation. However, in the clinical trials studied, the current evidence remains inconclusive and does not allow for a universal assertion that supplementation improved placental composition and health. This thesis points to important gaps that need to be investigated so that omega 3 can be used for placental health. The translational divergence reveals that the clinical efficacy of omega 3 depends on overcoming methodological flaws and transitioning to an isolation nutrition paradigm, based on the genetic and metabolic stratification of pregnant women.
Palavras-chave: Ômega 3
Gestação
Placenta
DOHaD
Epigenética
Omega-3
Pregnancy
Epigenetics
Ácidos graxos ômega-3
Gravidez
Epigenômica
Área(s) do CNPq: CIENCIAS BIOLOGICAS::MORFOLOGIA::EMBRIOLOGIA
Idioma: por
País: Brasil
Instituição: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Sigla da instituição: UERJ
Departamento: Centro Biomédico::Faculdade de Ciências Médicas
Programa: Programa de Pós-Graduação em Fisiopatologia Clínica e Experimental
Citação: VIEIRA, Cristiane Bastos Leta. Influência da suplementação de ômega 3 durante a gestação e seu impacto na placenta: revisão integrativa experimental e clínica. 2026. 165 f. Tese (Doutorado em Fisiopatologia Clínica e Experimental) – Faculdade de Ciências Médicas, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2026.
Tipo de acesso: Acesso Aberto
URI: http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/25572
Data de defesa: 12-Fev-2026
Aparece nas coleções:Doutorado em Fisiopatologia Clínica e Experimental



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