| Compartilhamento |
|
Use este identificador para citar ou linkar para este item:
http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/26129| Tipo do documento: | Tese |
| Título: | A rua não passa fome: gestão racializada da vida e a circulação em Volta Redonda (RJ) |
| Título(s) alternativo(s): | The street don’t go hungry: racialized management of life and mobility in Volta Redonda (RJ) |
| Autor: | Torres, Nildamara Theodoro ![]() |
| Primeiro orientador: | Leite, Marcia da Silva Pereira |
| Primeiro coorientador: | Machado, Carly Barboza |
| Primeiro membro da banca: | Birman, Patricia |
| Segundo membro da banca: | Fernandes, Adriana dos Santos |
| Terceiro membro da banca: | Diaz-Benitez, Maria Elvira |
| Quarto membro da banca: | Ribeiro, Ana Paula Alves |
| Resumo: | A pesquisa busca compreender de que modo práticas assistenciais voltadas a alimentar, acolher, encaminhar e recuperar pessoas em situação de rua produzem, simultaneamente, cuidado, controle, hierarquias raciais, permanência e circulação na cidade. Investigo como a fome é governada nas ruas de Volta Redonda, município do Sul Fluminense do Rio de Janeiro, a partir dos circuitos de assistência que organizam rotas, definem pontos de parada, produzem vínculos, exigem performances morais e participam da administração cotidiana de corpos racializados. Nesse percurso, duas categorias analíticas construídas no campo ganham centralidade: a gramática racializada da gratidão, que nomeia as expectativas de reconhecimento, merecimento e deferência dirigidas a quem recebe comida, e o desenrolo, compreendido como estratégia prática pela qual pessoas em situação de rua negociam acessos, recusas, deslocamentos e formas possíveis de sobrevivência. A análise se apoia em uma etnografia realizada entre 2020 e 2024, atravessada pela pandemia de Covid-19, construída a partir do acompanhamento do Consultório na Rua, do abrigo emergencial, da aproximação com o Centro Pop, da análise de interações em um grupo de WhatsApp voltado à organização da distribuição de comida, de saídas com grupos caritativos, de conversas com pessoas em situação de rua e de visitas a uma Comunidade Terapêutica. A cartografia social e a atenção aos deslocamentos, paradas, horários e pontos de distribuição orientam a leitura da cidade e dos circuitos de sobrevivência. Em uma Volta Redonda marcada pela memória do café, da escravidão, da ferrovia, da Companhia Siderúrgica Nacional e pela imagem de cidade planejada, limpa e desenvolvida, a presença de pessoas em situação de rua revela tensões entre progresso, caridade, ordem urbana, abandono e controle. A tese argumenta que a comida faz viver, mas também governa: a assistência estatal e caritativa mantém corpos vivos no limite da sobrevivência, sem necessariamente convertê-los em sujeitos plenamente reconhecidos por direitos. |
| Abstract: | This research seeks to understand how assistance practices aimed at feeding, sheltering, referring, and rehabilitating homeless people simultaneously produce care, control, racial hierarchies, and patterns of permanence and circulation within the city. I investigate how hunger is managed on the streets of Volta Redonda, a municipality in the southern region of Rio de Janeiro, through the assistance networks that organize routes, define stopping points, create bonds, demand moral performances, and participate in the daily management of racialized bodies. In this process, two analytical categories constructed in the field take center stage: the racialized grammar of gratitude, which names the expectations of recognition, merit, and deference directed at those who receive food; and the unfolding, understood as a practical strategy through which people living on the streets negotiate access, refusals, displacements, and possible forms of survival. The analysis is based on an ethnography conducted between 2020 and 2024, spanning the Covid-19 pandemic, built upon monitoring the Street Clinic, the emergency shelter, engagement with the Pop Center, analysis of interactions in a WhatsApp group dedicated to organizing food distribution, outings with charitable groups, conversations with people experiencing homelessness, and visits to a Therapeutic Community. Social cartography and attention to movements, stops, schedules, and distribution points guide the interpretation of the city and the circuits of survival. In a Volta Redonda marked by the memory of coffee, slavery, the railroad, the Companhia Siderúrgica Nacional, and the image of a planned, clean, and developed city, the presence of people living on the streets reveals tensions between progress, charity, urban order, abandonment, and control. The thesis argues that food sustains life, but it also governs: state and charitable assistance keeps bodies alive on the brink of survival, without necessarily transforming them into subjects fully recognized by rights. |
| Palavras-chave: | Fome Assistência Raça Situação de rua Volta Redonda Hunger Aid Race Homelessness |
| Área(s) do CNPq: | CIENCIAS HUMANAS::ANTROPOLOGIA::ANTROPOLOGIA URBANA OUTROS::CIENCIAS SOCIAIS |
| Idioma: | por |
| País: | Brasil |
| Instituição: | Universidade do Estado do Rio de Janeiro |
| Sigla da instituição: | UERJ |
| Departamento: | Centro de Ciências Sociais::Instituto de Ciências Sociais |
| Programa: | Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais |
| Citação: | TORRES, Nildamara Theodoro. A rua não passa fome: gestão racializada da vida e a circulação em Volta Redonda (RJ). 2026. 200 f. Tese (Doutorado em Ciências Sociais) – Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2026. |
| Tipo de acesso: | Acesso Aberto |
| URI: | http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/26129 |
| Data de defesa: | 29-Mai-2026 |
| Aparece nas coleções: | Doutorado em Ciências Sociais |
Arquivos associados a este item:
| Arquivo | Descrição | Tamanho | Formato | |
|---|---|---|---|---|
| Tese - Nildamara Theodoro Torres - 2026 - Completa.pdf | 3,02 MB | Adobe PDF | Baixar/Abrir Pré-Visualizar |
Os itens no repositório estão protegidos por copyright, com todos os direitos reservados, salvo quando é indicado o contrário.

