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Tipo do documento: Tese
Título: Sobre o movimento. O corpo e a clínica.
Título(s) alternativo(s): On the motion. The body and the clinic.
Autor: Borges, Hélia Maria Oliveira da Costa 
Primeiro orientador: Birman, Joel
Primeiro membro da banca: Arán, Márcia Ramos
Segundo membro da banca: Rauter, Cristina Mair Barros
Terceiro membro da banca: Peixoto Junior, Carlos Augusto
Quarto membro da banca: Vieira, Jorge Albuquerque
Resumo: Esta tese se dedica ao estudo do corpo em sua qualidade sensível, buscando evidenciar que é sobre este que incidem as formas de dominação contemporâneas na medida em que o corpo vem sofrendo, na atualidade, um processo de anestesiamento em seu campo intensivo, seja por uma sobre-excitação da sensação ou, ao contrário, pelo seu apagamento. Tal anestesiamento decorre dos novos modos de subjetivação contemporâneos em que a vida se tornou o lócus privilegiado das intervenções dos poderes. O corpo entediado, esvaziado de suas forças singulares produtivas, tem sido resultante da complexa rede de ingerências a que tem sido exposto. Na condução das políticas de saúde, os saberes se organizam em suas regulamentações para indivíduos e grupo, fechando-os às diferenciações. A possibilidade da experiência alteritária se torna rarefeita, já que indivíduos e grupos reproduzem a lógica de desapropriação de seus próprios modos de sentir, de perceber o mundo. Os trabalhos pesquisados, nesta tese, seja na dança ou nas técnicas de mobilização dos corpos que desenvolvem métodos para experienciar seus movimentos e ritmos, permitem o acesso às condições sensíveis, por colocarem questões ao corpo que ultrapassam o saber racionalizado sobre o mesmo. Funcionando como novos operadores cognitivos, estes trabalhos sustentam um fazer-se dos corpos, nos seus processos subjetivantes, em que o paradoxo e alteridade possam emergir como resistência às formações decorrentes dos jogos de saber/poder contemporâneos. Na mesma direção, também, a psicanálise tem muito a contribuir a partir da reavaliação de suas práticas observando a condição sensível dos corpos e do repensar teórico deste lugar, o corpo, que como campo de virtualidades atravessado pelo coletivo, aproxima-se do estado inaugural da existência. Neste lugar, a subjetivação se dá no campo das forças, campo pulsional ao realizar sua preensão do mundo e produção de suas formas através dos processos de erotização do corpo. Algumas teorias psicanalíticas têm colaborado significativamente para a sofisticação de um saber em que o psiquismo é visto como encarnado. Essa leitura, ao não dissociar o corpo do psiquismo, busca romper com a lógica binária, característica da leitura clássica psicanalítica, destacando a importância dos afetos na clínica e viabilizando, deste modo, para o entendimento dos sintomas, o enlace definitivo do sujeito com a cultura. A forma das forças é o resultado de um processo que se realiza a partir das percepções decorrentes de um dado campo de afetação, intensivo. Assim a possibilidade de sustentação de formas singulares de existência está relacionada à capacidade em acessar este campo das forças, entendido como um campo que permite as operações de construção e desconstrução do universo simbólico. Na aproximação da dimensão crítica envolvida nos estudos sobre a corporeidade, os estados patológicos podem ser compreendidos, então, como resistência aos imperativos das organizações codificadas.
Abstract: This thesis deals with the study of the body in its sensitive quality, trying to evince that the current dominating forms fall on this body, since it undergoes an anesthetic process in its intensive field, either due to an over-excitement of sensation or, contrarily, due to its obliteration. Such anesthesia comes from new contemporary subjectivation ways, in which life has become the privileged locus for the action of powers. The annoyed body, deprived of its unique productive strengths, arises in a complex interferences network around it. For health politics orientation, knowledge is organized in its rules for individuals and groups, guarding them from differentiations. The possibility of alterity experience is faded, since individuals and groups reproduce the logic of expropriating their own ways of feeling and perceiving the world. The works here investigated, on dance and on the mobilization of bodies that develop methods to experience their movements and rhythms, grant access to sensitive conditions, since they ask the body questions that go beyond the rationalized knowledge about it. Working as new cognitive operators, these papers sustain a making of bodies in their subjective processes, where paradox and alterity can emerge as resistance to formations arising from current knowledge/power games. Also in the same direction, psychoanalysis can contribute a lot in reevaluating its practices observing the sensitive conditions of bodies and in theoretically rethinking this place, the body, which as a field of virtues trespassed by the collective, approaches the original state of existence. In this place subjectivation occurs in the field of strengths, pulsional field that grasps the world and produces its forms in process of bodily erotization. Some psychoanalytic theories gave an important contribution to sophisticate a knowledge which considers psychism embodied. This viewpoint, that does not separate body and psychism, tries to break with the binary logic characteristic of the classical psychoanalytical viewpoint, highlighting the importance of affections within the clinic and thus allowing the definite marriage of subject and culture, for the understanding of symptoms. The shape of strengths results from a process based on the perceptions of a given affective, intense field. So the possibilities of keeping unique existence forms relates to the ability to access this field of strengths, conceived as a field that allows constructing and de-constructing the symbolic universe. In approaching the critical dimension of studies on corporeity, the pathological states can be understood as resistance to the imperative of codified organizations.
Palavras-chave: Body
Movement
Psychoanalysis
Subjectivation
Resistance
Corpo
Movimento
Psicanálise
Subjetivação
Resistência
Área(s) do CNPq: CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE::SAUDE COLETIVA
Idioma: por
País: BR
Instituição: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Sigla da instituição: UERJ
Departamento: Centro Biomédico::Instituto de Medicina Social
Programa: Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva
Citação: BORGES, Hélia Maria Oliveira da Costa. Sobre o movimento. O corpo e a clínica.. 2009. 200 f. Tese (Doutorado em Saúde Coletiva) - Instituto de Medicina Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2009.
Tipo de acesso: Acesso Aberto
URI: http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/4595
Data de defesa: 27-Mar-2009
Aparece nas coleções:Doutorado em Saúde Coletiva

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